quinta-feira, 28 de maio de 2015

Cortes no orçamento inviabilizarão funcionamento das IFE

Cortes no orçamento inviabilizarão funcionamento das IFE

infra  Os ajustes no orçamento anunciados na última semana, da ordem de R$ 69 bilhões, que retiram mais R$ 9,42 bilhões da Educação deverão inviabilizar o pleno funcionamento de várias Instituições Federais de Ensino (IFE). Além dos cortes apresentados recentemente, no início do ano o governo já havia limitado a verba das IFE a 1/18 avos do orçamento por mês, o que implicou num corte mensal de R$ 586,83 milhões. Em reunião entre o Ministério da Educação (MEC) e o ANDES-SN na última sexta-feira (22), os representantes do MEC confirmaram que os cortes deveriam afetar as verbas de custeio e capital da pasta. Mas que o anúncio das áreas atingidas só seria feito em junho.
E, embora o MEC tenha anunciado em nota que “os programas e ações estruturantes e essenciais” estão garantidos, a realidade nas Instituições aponta para um cenário de caos nas IFE, que já operam com quadro reduzido de funcionários e docentes, problemas de infraestrutura, dificuldade para pagamento dos contratos com terceirizados, as contas manutenção como água, energia e compra de mantimentos básicos.
A ampliação promovida pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que ampliou a quantidade de IFE de forma desordenada e a precarização por conta da falta de investimento têm atrasado pagamento de terceirizados, engavetado obras e freado a assistência estudantil, que atualmente atende menos da metade dos que precisam.
“O novo corte anunciado pelo governo será sentido pelas universidades agora em junho, e deverá inviabilizar o funcionamento de várias Ifes, que já vinham operando com dificuldade de honrar as contas”, afirma. Ele explica que os cortes nas verbas de custeio envolvem tudo o que não é Pessoal, ou seja, manutenção, terceirizados, material de consumo, bolsas estudantis. “E o que os reitores vêm fazendo desde o início do ano é escolher o que vão deixar de pagar no momento. Por exemplo, na UFSC a companhia de energia já ameaçou cortar o fornecimento da universidade. Em várias Federais, os trabalhadores terceirizados não foram pagos e paralisaram as atividades, o que levou a necessidade de suspensão das aulas por falta de condições de higiene e segurança para funcionamento”, conta Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN.
Rizzo lembra que a falta de recursos já vem sendo sentida desde o início do ano, quando muitas instituições tiveram que usar a verba deste ano para cobrir o rombo de 2014. O presidente do Sindicato Nacional lembra o caso do fechamento do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no início de janeiro por falta de verbas e o adiamento do calendário acadêmico em várias Ifes.desordem
“Outra ação que demonstra a situação de total descaso com a educação federal é o ato que o reitor da Universidade Federal da Bahia promoveu na segunda-feira para denunciar a crise financeira da UFBA. Isso foi uma coisa inusitada, pois não é costume um reitor convocar manifestação, mas, na verdade, é a expressão do desespero dos reitores, por que não têm como pagar as contas e por consequência não tem como administrar as universidades”, explica.
Paulo Rizzo ressalta que o orçamento inicialmente previsto para as IFE em 2015 dificilmente cobriria as despesas correntes do ano, com os cortes, diminui a expectativa de sobrevida do orçamento. “Já estamos numa situação de redução no repasse às universidades, desde anos anteriores, falta investimento e de reajuste nas verbas disponibilizadas, sem conseguir fechar as contas de 2014. Com o anúncio desse novo corte da ordem de R$ 9 bilhões, é óbvio que os reitores não terão de onde tirar recursos, o que significa a possibilidade de fechamento das universidades federais”, alerta.
O presidente do Sindicato Nacional rechaça opção do governo federal em cortar recursos de serviços públicos essenciais para a sociedade brasileira, como educação e saúde, para sanear a crise financeira. “Não há qualquer sentido o governo promover mais cortes na Educação, uma área que já é tão carente de investimentos, assim como a saúde pública. O ajuste fiscal não pode atingir as áreas que atendem a população”, afirma.
Rizzo ressalta que o governo deveria buscar medidas que ampliassem a arrecadação da União, como a taxação das grandes fortunas, dos lucros dos bancos e a auditoria da dívida pública, que atualmente consome quase metade do orçamento da União.
“Ao invés, o governo continua jogando a conta da crise nas costas dos trabalhadores, inclusive com a divulgação de um plano para frear demissões que prevê a redução de jornada com a redução de salários, o que é inadmissível em um cenário de crise”, critica, se referindo ao recente notícia divulgada na imprensa de que o governo federa estaria trabalhando, junto a algumas centrais sindicais, em uma proposta de diminuição de jornada de trabalho com redução salarial para barrar as demissões no setor privado.
“A CSP-Conlutas não vem participando desses debates, que ocorrem em uma mesa de negociação dirigida pelo Planalto, onde estão sendo negociadas retirada de direitos dos trabalhadores. Quando todo país está em recessão, toda luta sindical tem que ser no sentido da defesa dos direitos dos trabalhadores, não da flexibilização desses direitos, com redução do acesso ao seguro desemprego, dificultando o acesso à aposentadoria, redução salarial. Essas são medidas para garantir que durante o período de recessão não haja perda de lucratividade do Capital, dos bancos e das empresas”, explica, ressaltando que um avanço seria combater o desemprego com a redução da jornada e manutenção do salário, já que no Brasil a jornada semanal é bem superior a de vários países que recentemente enfrentaram recessão, onde a mesma varia entre 30 a 35 horas semanais.
29 de maioMobilização e luta
Para lutar em defesa do caráter público da educação e melhoria das condições de trabalho e ensino e contra a retira de direitos, os professores de todo o país estão mobilizados e em várias universidades já deliberaram pela adesão à greve nacional dos docentes federais que será deflagrada nesta quinta-feira (28), pelo Sindicato Nacional. Nesta quinta, tem início também a greve dos técnico-administrativos das Universidades Federais. Além disso, em várias Instituições Estaduais de Ensino Superior (Iees) os docentes também estão mobilizados na luta por mais financiamento para as universidades estaduais e contra os ataques aos direitos dos trabalhadores.
Os professores de todo o país irão aderir também, no dia 29, à paralisação nacional chamada pela CSP-Conlutas e outras centrais sindicais contra o PL das Terceirizações, contra as MPs 664 e 665 e em defesa da democracia.
Paulo Rizzo reforça que só com muita mobilização e luta os trabalhadores conseguiram barrar as retiradas de direito, o ajuste fiscal e tantos outros ataques operados tanto pelos poderes Executivos federal, estaduais e municipais quanto pelo legislativo e também judiciário.
“Todo esse quadro de cortes e ataques tem impacto direto nas condições de trabalho nas IFE, e só vamos reverter essa situação com muita luta e mobilização. Por isso, estamos no processo de deflagração da greve nacional dos docentes das IFE. E não basta apenas paralisar, é necessário fazer ações de pressão junto às reitorias, com cobrança das pautas locais, junto ao Ministério da Educação e do Planejamento e também aos parlamentares”, completa.

http://grevenasfederais.andes.org.br/2015/05/28/cortes-no-orcamento-inviabilizarao-funcionamento-das-ife/#more-101


Greve na Universidade Pública – Objeções Frequentes, Respostas Incômodas


Greve na Universidade Pública – Objeções Frequentes, Respostas Incômodas

Marcelo Badaró Mattos
Professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense
Para um professor que como eu, já está trabalhando em instituições federais de ensino há quase trinta anos, as greves por certo não são novidades. Da mesma forma, tenho dificuldades em encontrar argumentos novos entre aqueles que se manifestam contrariamente ao uso desse instrumento. Percebo que novas gerações de estudantes (e também de docentes e servidores) muitas vezes reproduzem, legitimamente, dúvidas e ponderações que apareceram em momentos passados. São argumentos válidos, que merecem um debate que se enriquece quando experiências passadas são resgatadas. Há, entretanto, também, muitos que conhecem essas experiências e recorrem aos mesmos argumentos contrários às greves que utilizaram em outras ocasiões, mesmo tendo sido refutados, por outros argumentos e pela própria realidade histórica, mas fingem desconhecer essas refutações para continuar tentando deslegitimar as organizações coletivas e formas de luta dos profissionais de educação e estudantes.
Por isso, mesmo correndo o risco de também ser repetitivo em relação a argumentos que já usei em outros momentos de greve, acredito ser importante comentar e contra-argumentar a respeito de algumas dessas questões recorrentes. Afinal, entre outros resultados possíveis de uma greve, especialmente na área de educação, está a dimensão pedagógica do compartilhamento de conhecimentos e experiências, o que só pode fortalecer a capacidade de entendimento e intervenção no mundo, que aspiramos seja objetivo fundamental de toda instituição educativa. Vamos então às questões.
A greve não é o único/melhor instrumento de luta. A greve no serviço público/na educação não é eficaz. Devemos recorrer a outras formas de luta? Devemos ir para as ruas. A greve esvazia a universidade…
Sem dúvida, a greve não é o único instrumento de luta de trabalhadores. Ela é sempre utilizada quando outras tentativas de defesa dos seus interesses fracassam em conquistar resultados em torno de demandas coletivas. No entanto, a greve é um direito fundamental dos trabalhadores, que serão sempre a parte mais fraca numa relação com seus patrões, no setor privado ou no público, e tem nesse instrumento uma forma de tentar equilibrar, mesmo que momentaneamente, o jogo desigual que caracteriza a exploração do trabalho assalariado.
No serviço público, e especialmente na área da educação, a greve não tem o mesmo objetivo de causar prejuízo econômico, e com isso pressionar os patrões, que possui no setor privado. Ela existe como estratégia de ampliação do poder de pressão, através da mobilização coletiva, para que demandas fundamentais, salariais, de condições de trabalho e de defesa da educação pública, ganhem maior audiência e criem constrangimentos que obriguem os governos a negociarem.
Por isso mesmo, não há oposição entre greves e outras formas de luta. Pelo contrário, aqueles que defendem de forma consequente a necessidade de ocupar as ruas sabem que só com grande quantidade de pessoas é possível obter êxito em uma manifestação desse tipo. Mas, como colocar milhares de educadores e estudantes nas ruas se eles estão nas salas de aula? Para muitos o fundamental é garantir maior repercussão nos meios de comunicação de massa. Sabemos que a mídia é fundamentalmente composta por grandes oligopólios empresariais, cujos interesses estão distantes de convergir para a defesa da educação pública e dos trabalhadores. Por mais insistência que tenhamos em buscar esses canais em tempos de funcionamento normal das instituições o resultado é quase nulo. Com as greves, a coisa muda de figura. Em nossa última paralisação de 24h, por exemplo, todas as grandes redes de televisão fizeram matérias sobre a situação das universidades e a paralisação, da mesma forma que os principais jornais impressos e sites de notícias. Em greves anteriores, a cobertura da mídia – mesmo que muitas vezes deturpando nossas reivindicações – foi sempre muito mais ampla que em momentos de atividades normais.
Uma greve pode sim esvaziar a universidade. Mas, não precisa ser assim. E muitas vezes não é assim. Os três segmentos da comunidade universitária (docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes) programam muitas atividades de mobilização nos espaços universitários – debates, rodas de conversa, exibição de filmes, atos, acampamentos, etc. – e aproveitam o momento da greve para discutir das questões mais específicas das universidades às mais gerais do país e do mundo, com um olhar pedagogicamente crítico, que deveria nortear todo o nosso cotidiano nas instituições, mas que sabemos nem sempre é a tônica no dia a dia da atividade universitária.
Quanto à eficácia do instrumento, para quem conhece a história das greves universitárias e de seus resultados desde o fim dos anos 1970, o argumento de que para nada servem é insustentável. Todas as conquistas salariais e referentes à carreira docente foram decorrentes de greves nas instituições de ensino. Além disso, tais greves conquistaram muitas vezes avanços significativos para a vida universitária em geral e, em outros momentos, foram barreiras interpostas às propostas governamentais danosas à universidade pública, que não foram aplicadas ou o foram limitadamente graças à força das greves. Um quadro muito sintético das greves nas instituições federais de ensino pode ser encontrado nesse link.
No entanto, vale lembrar, que muitos dos que argumentam que as instituições se esvaziam nas greves e que era preciso ir para as ruas, em certos casos são docentes há mais tempo que eu e nunca os vi em atividades de mobilização no interior das universidades, antes ou durante as greves, e nunca os encontrei em nenhuma manifestação de rua em defesa da educação/das universidades públicas. Outros, não só participaram como até organizaram atividades desse tipo há muitos anos, quando eram estudantes e docentes mais jovens, mas hoje as condenam: eles não mudaram de opinião, mudaram de lado.
As greves na universidade só param a graduação e prejudicam os estudantes de graduação…
Não é verdade que as greves só param as aulas de graduação. Atividades de pesquisa e extensão também são paralisadas pelos que participam das greves. Quando ingressei na universidade essa questão sequer era levantada, porque não se fazia diferença, quando uma greve começava, entre aulas na graduação e na pós-graduação. Nas últimas duas décadas e meia, cresceu muito a pressão sobre as pós-graduações para apresentarem indicadores quantitativos de produtividade que são a base central de avaliações feitas pela CAPES e que podem representar mais ou menos recursos financeiros, bolsas de estudo e prestígio acadêmico. De lá para cá, cresceu também o número de argumentos contrários à suspensão das atividades de pós-graduação em função dessa pressão da CAPES.
No entanto, muitos docentes e programas inteiros continuam a paralisar suas aulas na pós-graduação, buscando contornar sempre que possível a pressão das agências de fomento/avaliação, pois percebem que tal pressão não tem como contrapartida a garantia dos recursos e condições de trabalho adequados ao funcionamento dos programas com qualidade. Os comandos locais de greve também são cientes de que algumas bancas e atividades são agendadas com muita antecedência, significam despesas com passagens e diárias já realizadas e autorizam excepcionalmente tais atividades. Os que continuam trabalhando regularmente na pós-graduação durante as greves, portanto, o fazem por decisão própria de furar uma greve, utilizando os argumentos da especificidade das pós como biombos para suas atitudes, e depois, ironicamente, acusam as greves de só paralisar a graduação. Muitas vezes, os que dizem isso, são os mesmos professores que no dia a dia dos cursos, menosprezam as aulas na graduação e justificam que sua “excelência” os deveria liberar de tal “fardo” para dedicação integral à pesquisa e pós-graduação.
Por outro lado, cabe sempre a pergunta: o que realmente prejudica o estudante – de graduação ou pós – uma greve que pode se estender por algumas semanas, defendendo a universidade pública, ou a falta de condições adequadas de estudo e permanência na Universidade?
Numa greve como a que se iniciará em 28 de maio de 2015, cujo motivo maior, além da defasagem salarial dos docentes (motivo justo e digno, diga-se de passagem, pois todo trabalhador assalariado tem direito à proteção mínima de seus vencimentos face à inflação) é o conjunto de medidas destrutivas à universidade pública, não há dúvidas da justeza do movimento para grande parte dos estudantes. Afinal, faltam professores em muitos cursos, há outros em que obras estruturais necessárias à construção de salas de aulas, bibliotecas e laboratórios não foram executadas ou pararam pelo meio, há falta de bandejões e alojamentos estudantis, as bolsas são insuficientes e estão atrasando, entre muitas outras situações. Todas motivadas por uma expansão de vagas discentes que não foi acompanhada do necessário crescimento do número de docentes e do aporte de recursos para infra-estrutura, manutenção e assistência estudantil. O que tem sido muito agravado nos últimos meses pelas políticas de “ajuste fiscal” do governo federal, que repassará R$15 bilhões de reais ao setor privado através do FIES (financiamento estudantil), mas corta R$ 9,43 bilhões do orçamento do Ministério da Educação.
Por isso os estudantes da UFF e de outras universidades fizeram suas assembleias e deliberaram pela greve. Porque sabem que essa luta também é sua.
Curioso que os que argumentam que a greve prejudica os estudantes, desconsideram completamente a posição coletiva dos próprios estudantes. O que é bem ilustrativo de como enxergam sua atividade docente e seus estudantes: são os portadores do conhecimento e da verdade, que buscam iluminar os pobres e ignorantes estudantes, que sequer percebem que estão sendo prejudicados com a greve.
Há motivos para a mobilização ou até mesmo a greve, mas esse não é o melhor momento…
Calendários diferenciados, momentos distintos dos semestres letivos, incertezas sobre os processos de negociação, são argumentos utilizados para questionar a oportunidade da greve, mesmo que utilizados por vozes que não questionam a legitimidade do instrumento de luta. Nesse caso, cabe lembrar que desde o final do ano de 2014 o governo está implementando as políticas de cortes de verbas e as propostas de retirada de direitos dos trabalhadores (vide as Medidas Provisórias que dificultam o acesso ao seguro desemprego e abono salarial, assim como restringem pensões, bem como o projeto de lei que libera as terceirizações, entre outras medidas). Nos últimos dias, com o anúncio de novos cortes e o avanço das medidas no congresso nacional, a situação só tem piorado.
No que diz respeito aos servidores públicos federais e aos docentes das instituições federais de ensino, paralisações e movimentos, em Brasília e nos estados, pressionaram o governo a receber as entidades em reuniões, mas nenhuma resposta concreta às pautas foi apresentada. Sabemos que tanto as demandas por carreira/salário, quanto aquelas referentes a mais verbas para as instituições (de forma a garantir as condições de trabalho/estudo) dependem de rubricas orçamentárias. A Lei de Diretrizes Orçamentárias do ano de 2016 tem que ser apreciada pelo congresso até agosto. Caso não tenhamos nossas reivindicações atendidas até lá, teremos que nos resignar a reajuste zero no próximo ano e ao aprofundamento do caos na vida universitária. Por isso o momento da greve é este. Ela acontece quando as condições para sua construção caminham mais rapidamente e a necessidade de uma intervenção coletiva que garanta a negociação com o governo já se faz mais que urgente.
O ANDES-Sindicato Nacional e as suas Seções Sindicais não são representativos. As Assembleias Gerais que decidem as greves não são representativas/legítimas. Seu funcionamento e suas decisões não são democráticas…
O ANDES-SN é o resultado de mais de três décadas de organização e lutas docentes. Como toda entidade sindical possui limites e problemas. Mas, está organizado pela base, através de suas seções sindicais em praticamente todas as instituições públicas de ensino superior. Sua direção nacional é eleita diretamente pelos associados, através das seções sindicais, e possui secretarias regionais espalhadas por todo o território nacional, de forma a dar conta da diversidade de situações no país. As taxas de sindicalização nas seções sindicais são elevadas, muito superiores à média do país. Na ADUFF-SSind, por exemplo, tínhamos 2.561 docentes associados em 2014, sendo 1381 ativos (cerca de 46% do total de docentes da instituição) e os demais aposentados.
No sindicato exercita-se a democracia em suas diferentes possibilidades. A diretoria nacional e as diretorias das seções sindicais são escolhidas diretamente pelo voto dos associados. As instâncias nacionais de deliberação da categoria (as diretorias são apenas executivas) – Conselhos de Seções Sindicais e Congresso, ordinariamente anuais – são constituídas por delegados eleitos em suas bases, através das assembleias gerais. E nas Assembleias Gerais, prevalece a democracia direta, com base nas discussões e votações dos participantes.
Na UFF, as assembleias gerais são abertas a todo o corpo docente, independentemente de filiação ou não ao sindicato, porque entendemos que a luta coletiva se faz por e em nome de todos, portanto todos tem direito a voz e voto nesses espaços. O acúmulo de experiências históricas nos leva a conceber que esse é o espaço deliberativo mais democrático para decisões como a construção de uma greve. Porque ali os participantes trocam informações, análises e avaliações e – convergindo ou divergindo – votam esclarecidos por esse debate e constroem coletivamente suas deliberações. Esse sentido coletivo da democracia direta em uma entidade de trabalhadores é fundamental e não pode ser substituído por consultas plebiscitarias, em que indivíduos votam isoladamente, a partir de convicções construídas por diversos caminhos, mas sem participarem ativamente de uma discussão coletiva.
Da mesma forma, incentivamos e participamos de todo tipo de reunião de docentes em âmbito departamental, de cursos ou unidades. Todo fórum convocado para discutir os problemas docentes e da universidade é importante para o avanço do conhecimento coletivo da situação e mobilização dos docentes. No entanto, esses fóruns não são espaços deliberativos da vida sindical, porque não se organizam para tanto e, especialmente, porque no caso das instâncias institucionais – departamentos, colegiados, etc. – estão sujeitos a lógicas de funcionamento e hierarquia funcional de ordem distinta da lógica sindical, que deve ser autônoma em relação a todos os níveis da gestão institucional, garantindo que as deliberações docentes possam estar livres de qualquer pressão de chefias imediatas ou gestões superiores das instituições.
As direções dos sindicatos são “vanguardas iluminadas”, “radicais”, “pseudo-revolucionários” que decretam greves de cima para baixo…
Seriam argumentos cômicos, não fosse trágico escuta-los de professores universitários. Trágico porque cada vez que um docente toma emprestado esse tipo de argumento da pena dos articulistas da extrema-direita reacionária dos panfletos mais abjetos da imprensa empresarial (como os colunistas da revista Veja), assume conscientemente o papel de arauto dessa ideologia reacionária, que procura associar todo tipo de movimento social/sindical e suas lideranças a uma nova “ameaça comunista”, no estilo típico da Guerra Fria. Em tempos de manifestações reacionárias como as ocorridas em março e abril, de debates no Congresso Nacional sobre um projeto de lei que visa estabelecer “crime de doutrinação ideológica” para punir professores que estimulem o pensamento crítico e o debate de ideias entre seus alunos, tais argumentos são lamentáveis ecos internos de um reacionarismo crescentemente, incentivado pelas forças políticas  e sociais mais conservadoras no país e seus diligentes prepostos na “grande” imprensa.
Os dirigentes sindicais do movimento docente exercem seus cargos sem qualquer vantagem pessoal, na maioria das vezes sem dispensa da atividade acadêmica regular e por períodos de tempo limitados (em nosso estatuto nacional e no regimento local, ninguém pode permanecer por mais de dois mandatos seguidos nas diretorias). Expressam diferentes posições políticas e ideológicas, e participam dessas atividades movidos principalmente pela convicção de que o instrumento sindicato é fundamental para qualquer trabalhador, aí incluído o docente.
De qualquer forma, podem acertar ou errar, podem manifestar posições políticas as mais distintas, mas nunca o fazem sozinhos, porque procuram agir como representantes de coletivos maiores e discutem suas posições pessoais e/ou coletivas em espaços democráticos de deliberação. Assim, na UFF, por exemplo, a última assembleia geral dos docentes, que aprovou a deflagração da greve, contou com a participação de 281 professores, que assinaram a lista de presença. No momento da votação, 155 votaram favoravelmente à proposta, 46 contrários e uma abstenção. Outras assembleias, com mais de uma centena de presentes, aconteceram nas semanas anteriores, levantando os problemas e discutindo os encaminhamentos que antecederam a deliberação sobre a greve. Muitas acontecerão durante a greve. Como eu disse, todas são abertas à participação, voz e voto de todo e qualquer docente. Quando alguém se recusa a participar de um espaço tão aberto quanto esse e depois questiona a legitimidade do espaço ou procura detratar as organizações, militantes e dirigentes, devemos desconfiar um pouco mais da crítica.
Em síntese
Nenhuma forma de luta é perfeita e nenhum processo democrático pode ser considerado acabado numa sociedade regida por uma lógica que é estranha e contrária aos interesses da maioria trabalhadora da população. Por isso, todo o esforço coletivo para debater e aperfeiçoar nossas formas de organização e nossos métodos de luta deve ser saudado como sinal de vitalidade do movimento.
No entanto, muitas das críticas à greve e ao sindicato têm raiz em outro tipo de preocupação e concepção. Há ainda quem na universidade resista a compreender-se como trabalhador e por isso rejeite toda e qualquer forma de organização e luta coletiva associada aos trabalhadores. São aqueles que consideram que seu trabalho intelectual os eleva acima dos terreno comum dos mortais e, consciente ou inconscientemente, acabam por aderir aos argumentos e instrumentos dos que buscam deslegitimar ou mesmo desmontar as organizações e lutas dos trabalhadores. Há também os que, por adesão a um determinado projeto político levantam argumentos falaciosos contra os movimentos dos docentes, porque colocam a defesa de seu projeto/governo acima da defesa da universidade pública. Não podemos deixar de reconhecer que esse projeto tem tentado, ao longo da última década, fragmentar e enfraquecer as organizações representativas do movimento docente. Basta lembrar o apoio governamental à criação da entidade Proifes, que antes mesmo de ser formalizada já era chamada a sentar-se às mesas dos gabinetes ministeriais. As greves são uma ameaça a entidades fantoche desse tipo, porque como elas não possuem representatividade de base real, em momentos como esse sua fachada de legitimidade desmorona. Basta lembrar de 2012, quando os docentes foram à greve em praticamente todas as instituições (houve uma exceção) em que o movimento docente supostamente seria dirigido por essa entidade, que se contrapunha ao movimento, e reconheceram o ANDES-SN como seu efetivo representante naquele momento.
Cada greve é um processo único de aprendizado. Podemos conseguir mais ou menos conquistas com elas, mas em um momento como este que hoje vivemos na universidade é fundamental construirmos uma resposta coletiva às políticas destrutivas que estão em curso. A greve se apresenta como oportuna e necessária, justamente porque a situação é muito adversa. Os resultados da mobilização dependerão, em grande medida, de nossa força coletiva. De qualquer forma, teremos com certeza muito a aprender com ela.

https://capitalismoemdesencanto.wordpress.com/2015/05/27/greve-na-universidade-publica-objecoes-frequentes-respostas-incomodas/#more-2757

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Comunicado SESUNIPAMPA

Caros sindicalizados.
No dia 21 de maio ocorreu a última assembleia docente realizada pela SESUNIPAMPA.
Estas assembleias tem ocorrido via vídeo-conferência, pois a diretoria da Seção Sindical objetiva preservar a unidade das discussões entre os campus.
Estiveram presentes os campus de Jaguarão, Dom Pedrito, São Gabriel e São Borja. O campus Bagé teve problemas para o agendamento da sala virtual, pois já estava agendada para outras atividades. Além disto, a conexão do campus Bagé neste dia estava muito precária, o que inviabilizou inclusive o contato via Skype.
A única forma de diálogo foi via o sistema de bate-papo do Gmail e também de forma precaríssima.
Ainda assim, a mesa da assembleia situada em Jaguarão, não teve tempo de colocar a sugestão do campus, que era de votar a greve na próxima assembleia do dia 27 de maio, pois a assembleia já havia acabado e os colegas dos outros campus já estavam desarticulados. Enfatizamos que desde o início da nova diretoria da Seção, temos enfrentado muitos problemas relacionados à estrutura multi campus da universidade, e mesmo assim temos mantido uma agenda de assembleias e diálogo com os sindicalizados.
Ainda nesta assembleia, os outros campi avaliaram o momento de mobilização da categoria, ainda incipiente para o começo da greve, e entenderam a necessidade de um maior engajamento e debate. Assim foi proposto e encaminhado o Comitê de Mobilização Docente. Este Comitê saiu da assembleia com representantes de cada campus, que irão, junto com a SESUNIPAMPA, organizar atividades de mobilização na UNIPÁMPA.
Ainda, decidiram pelo horário das 17:30h, pois este media o intervalo entre os educadores que trabalham no turno da tarde e da noite.
Estes encaminhamentos foram propostos e votados coletivamente pelos campi presentes na vídeo-conferência, de forma democrática e com direito às intervenções para todos.
Sugerimos que os colegas mantenham unidade neste movimento que vem se organizando na universidade, e que participem deste fórum legítimo de deliberação da categoria que são as assembleias da SESUNIPAMPA, sindicato docente.

Saudações sindicais.

Diretoria da SESUNIPAMPA

domingo, 24 de maio de 2015

Convite Assembleia Docente 27/05


Caros colegas docentes,

Segue convite para assembleia geral no dia 27/05, às 17h30, que será realizada via vídeo-conferência (Sala RNP 0660), com a seguinte pauta:

  1. Informes
  2. Discussão sobre a conjuntura nacional e movimento de greve
  3. Encaminhamentos

Qualquer dúvida, favor entrar em contato com o email da Seção Sindical.

Saudações sindicais,

-- 
Diretoria da SESUNIPAMPA

domingo, 17 de maio de 2015

Convite Assembleia 20/05

Caros colegas docentes,


Convidamos a todos para assembleia geral no dia 20/05, às 17h00, que será realizada via vídeo-conferência (Sala RNP 0220), com a seguinte pauta:


  1. Informes
  2. Discussão sobre a conjuntura nacional e movimento de greve
  3. Comitê de mobilização para a greve
  4. Encaminhamentos

Qualquer dúvida, favor entrar em contato com o email da Seção Sindical.

Saudações sindicais,

Diretoria da SESUNIPAMPA

Assembleia dia 14 de maio e Mobilização Docente


Caros colegas.
O dia 14 de maio, de paralisação nacional, foi marcado por mobilizações nos campus da universidade e foi neste dia também realizada a última assembleia geral da SESUNIPAMPA.
Com o maior quórum visto nos últimos meses, os colegas dos campus de São Gabriel, Jaguarão, Dom Pedrito, Bagé e São Borja, fizeram uma avaliação da atual conjuntura de mobilização docente. 
Com a negativa do governo em discutir a proposta do ANDES/SN, os ataques à carreira docente e os cortes na educação pública, urge a necessidade de engajamento e luta dos professores federais.
A categoria presente na assembleia foi unânime na avaliação sobre a necessidade urgente de se ampliarem os diálogos e a mobilização. Como encaminhamentos foram propostos uma agenda semanal de assembleias e a construção do comitê de mobilização para a greve.
Convocamos à todos os colegas, sindicalizados ou não, para que fortaleçam esta luta e que compareçam na próxima assembleia a ser realizada no dia 20 de maio às 19h via vídeo-conferência.
Saudações sindicais,

--
Diretoria da SESUNIPAMPA



quinta-feira, 7 de maio de 2015

Paralisação 14 de maio

Caros colegas.

No último dia 29 de abril realizamos assembleia unificada via vídeo-conferência. O conjunto de colegas presentes apontou para a necessidade de mobilização da categoria visando o indicativo de greve e o acompanhamento da agenda nacional do ANDES-SN.

A assembleia encaminhou a participação da categoria docente da UNIPAMPA na paralisação nacional que ocorrerá no dia 14 de maio. Neste dia, além de paralisarmos as atividades e dialogarmos sobre nossas pautas, será feita uma assembleia geral para avaliar o movimento e mobilizar para a discussão do indicativo de greve do final de maio (entre os dias 25 e 29). A assembleia ocorrerá às 17h e poderá ser acompanhada nos campus via vídeo-conferência.

Convocamos, portanto, todos os colegas da UNIPAMPA, para paralisarem e organizarem atividades de mobilização no dia 14 de maio.

Os últimos cortes na educação pública, que giram em torno de 7 bilhões de reais, a desestabilização e provável extinção da carreira docente na universidade pública via OS e a situação de precariedade no trabalho, apontam urgente para esta mobilização.

Portanto conclamamos todos os colegas para nos mobilizarmos neste dia 14 de maio!

Principais eixos da pauta do dia 14 de maio:

- Defesa do caráter público da educação e a garantia da função social das IFE em prol da classe trabalhadora.
- Projeto de carreira única do ANDES-SN para o magistério federal.
- Condições de trabalho e salário decentes.
- Luta contra a reforma da previdência  (revogando as MPs 664 e 665/2014).

Saudações sindicais,

Diretoria da SESUNIPAMPA



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