quinta-feira, 21 de maio de 2020

A precarização dos serviços públicos em meio a pandemia da COVID-19.


A SESUNIPAMPA conversou com o presidente da APROFURG, Cristiano Engelke, sobre os ataques que sofre a classe trabalhadora dos servidores públicos em meio á pandemia da COVID-19.




Em meio a pandemia do coronavírus, o governo mais uma vez determina que a classe trabalhadora pagará a conta da crise que se encontra o Estado brasileiro. Crise essa, protagonizada não só pela COVID-19, mas também pelas sucessões de erros e ações de responsabilidade dos governos municipais, estaduais e federais. Isto é, a conciliação de classes e posteriormente a grande ascensão da direita ao poder, que vem massacrando os trabalhadores e trabalhadoras através das reformas e projetos com características anti-povo.
Discussões como a PLP 39/2020 que através dos artigos 7º e 8º determinam o congelamento do salário dos servidores públicos com a finalidade de destinar verbas ao combate à pandemia do COVID-19 são ataques diretos aos servidores e ao serviço público. Não por acaso, o sucateamento dos serviços públicos e de sua mão de obra vem de encontro ao entreguismo característico de um governo que visa o Estado mínimo e privatizações dos bens públicos.
Ignorando outras alternativas onde a classe trabalhadora é tida como prioridade, e que transfere a responsabilidade da crise para banqueiros, grandes empresários e demais acumuladores de capital, os quais em sua grande maioria possuem contas em aberto com o governo brasileiro através no não pagamento de impostos, por exemplo. Medidas como a taxação das grandes fortunas, cobrança de impostos atrasados ou a suspensão da dívida pública, não são pautadas pelo governo atual, tendo em vista que é, e está, a serviço do capital e da burguesia, e tem como compromisso a implantação de uma agenda neoliberal.
            Os ataques aos serviços/servidores públicos federais atingem professores, técnicos, e consequentemente toda comunidade acadêmica. Com a precarização desses serviços, projetos como o Future-se, se tornam mais próximos de uma realidade e podem erroneamente parecer uma saída promissora para os que não valorizam os espaços educacionais. Com outras polêmicas como o corte orçamentário em 2019, o próprio Future-se e a recente decisão sobre o mantimento da data das provas do ENEM 2020 (derrubada pelo senado), é notória a negligência com o ensino, a pesquisa e a tecnologia.




É preciso parar a politica genocida e anti-povo de Bolsonaro!
Analisar e concluir que o governo de Jair Bolsonaro proporciona ataques aos trabalhadores e trabalhadoras requer como resposta organização e enfrentamento. Mesmo que o cenário não pareça promissor, exigir das centrais sindicais, sindicatos, seções sindicais, movimentos sociais e partidos políticos agitação das consignas, a mobilização da classe trabalhadora (mesmo que atualmente de maneira virtual, devido a pandemia) e a denúncia de todos que se posicionarem contra a classe trabalhadora é fundamental para que que os ataques não avancem.
Durante esta semana os estudantes conseguiram através de muita agitação da consigna #AdiaENEM que o senado se posicionasse de maneira favorável ao adiamento, com exceção de Flávio Bolsonaro, que votou contra. Mesmo com a aliança com o chamado “centrão”, podemos observar uma relação frágil por parte dos aliados do governo Bolsonaro. A opinião e pressão públicas ainda surtem algum efeito no parlamento, e isso deve ser usado de maneira massiva e estratégica, agitando virtualmente as demandas da classe trabalhadora e estudantil.





Discutir, construir e mobilizar.
Conservamos com o Cristiano Engelke, presidente da Seção Sindical do Andes-SN na APROFURG.

SESUNIPAMPA: Em ralação ao projeto emergencial expresso na lei 039/20 concordas que ele repassa a conta do combate à pandemia para a classe trabalhadora? por quê?

Cristiano: Sem dúvida. A conta do combate da pandemia e da crise econômica – que já era anterior – estão sendo jogados no colo de trabalhadores e trabalhadoras, como é prática recorrente das políticas neoliberais. A saída é sempre pensada a partir do arrocho fiscal nas classes mais baixas, prejudicando aqueles e aquelas que trabalham e estudam, no caso específico do PLP 039/20, aqueles e aquelas que servem à sociedade justamente quando ela mais precisa.
As categorias mais afetadas serão justamente as que recebem os menores salários e terão ainda mais dificuldades.
Um governo e um parlamento que atuam na defesa dos interesses do capital financeiro, dos grandes bancos, grandes empresas, grandes proprietários de terra e grandes pastores evangélicos só podem significar a perda de direitos em benefício de quem sempre se beneficiou da classe trabalhadora.
Celso Furtado utilizava uma frase sobre o Brasil que representa bem esse momento, de que o nosso país se caracteriza por uma privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. É isto que temos mais uma vez.




SESUNIPAMPA: Em tempos de pandemia quais as ações para enfrentar medidas como essas que precarizam o trabalho docente?

Cristiano: É preciso termos claro que uma pandemia precariza todo e qualquer trabalho, uma vez que faz com que a saúde da população está em risco e isso já afeta as rotinas e a saúde mental de docentes e estudantes. O que precariza ainda mais o trabalho docente em todos os níveis de ensino é a substituição da aula presencial em sala de aula de forma automática pelo ensino remoto. O professor e a professora que não estão preparados para o uso de ferramentas digitais, com metodologias de ensino-aprendizagem que não são voltadas a este formato se vêem confrontados com essa forma de trabalho, aumentando e muito o trabalho, a preocupação e o desgaste e diminuindo a qualidade do ensino e da aprendizagem.
Se isso já não bastasse, esse arremedo de aula não é acessado da mesma forma pelos estudantes, ampliando as desigualdades sociais e as dificuldades já enfrentadas tanto por estudantes quanto pela sua família.

SESUNIPAMPA: Que alternativas o governo poderia utilizar para além de repassar para os trabalhadores os custos de combate a pandemia?

Cristiano: O Estado brasileiro deveria repassar estes custos da pandemia a quem tem condições pagar e não o faz. A taxação de grandes fortunas e a divisão de dividendos seriam algumas alternativas. A realização de uma auditoria da dívida pública também seria importante, mas não resolveria no curto prazo. De maneira geral é urgente perceber a sociedade e a economia com uma visão que não seja apenas o do equilíbrio fiscal através do sacrifício da população, mas que se parta de uma visão mais humana e social, buscando sempre a justiça social. Enquanto o lucro e o individualismo seguirem balizando a nossa economia e nossas mentes seguiremos na situação de grande desigualdade e injustiça.
Não tenho muita esperança, mas que este momento no sirva para repensar e transformar a sociedade em que vivemos. Que saiamos dessa situação melhores que entramos. Será possível?

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