quarta-feira, 15 de julho de 2015

Informativo número 2 - 2015


GESTÃO 2014-2016
INFORMATIVO Nº 2 – 2015

Relato da assembleia docente do dia 07 de julho
Na última terça feira, dia 07 de julho, realizou-se assembleia docente via videoconferência, chamada pela SESUNIPAMPA. Como ponto principal, estava a deliberação sobre se os docentes da UNIPAMPA iriam ou não aderir ao movimento de greve docente que ocorre nacionalmente. Estiveram presentes professores dos campi Bagé, Dom Pedrito, Jaguarão, São Borja e São Gabriel. Depois de informes sobre o andamento da luta dos docentes em greve, a maioria dos docentes reunidos votou por não aderir à greve, ainda que não tenha havido nenhuma fala explicitando os motivos de porque não aderir ao movimento. No entanto, os docentes decidiram também por declarar-se publicamente em estado de mobilização permanente. A diretoria da SESUNIPAMPA reforça a necessidade de se continuar o debate sobre as formas de concretizar este estado de mobilização permanente.

Relato do XII Encontro da Regional-RS do ANDES-SN

Nos últimos dias 10 e 11 de julho (2015) a Regional-RS da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES-SN) reuniu, em sua sede em Pelotas, membros das seções sindicais de cinco universidades do estado do Rio Grande do Sul para a realização do seu XII Encontro Regional: Conjuntura e estratégias de mobilização docente. Aproximadamente 30 participantes docentes da UNIPAMPA, UFSM, UFRGS, FURG e UFPel apresentaram e debateram, durante os dois dias do evento, questões relacionadas à condição não apenas da história atual e recente da universidade brasileira, mas também a respeito da evolução histórica da universidade no Brasil e no contexto mundial, em especial na América Latina. Como convidados especiais, o evento contou com a participação, na mesa de abertura, do Presidente Nacional do ANDES, Paulo Rizzo (UFSC). O evento contou ainda com a participação de representantes da diretoria da Regional-RS, entre eles o professor Carlos Schmidt, que tratou da conjuntura econômica atual e seus reflexos na universidade brasileira.
Durante o evento, mesas redondas seguidas de debates expuseram a pauta de mobilização do movimento de reivindicação que se encontra em curso no atual momento em todo o Brasil e que tem a condição da universidade pública brasileira e a carreira docente como temas centrais. O movimento de greve nas IES foi colocado em perspectiva e avaliado pelos participantes, tendo como foco de debate a atual percepção da precarização da universidade e as formas de atuação política efetivas na transformação do contexto atual.
A conclusão do evento foi marcada pela avaliação das discussões em que se ressaltou a importância da contraposição de formas de percepção do que significa, no contexto nacional e internacional, construir e conduzir uma universidade pública de qualidade e os modos de atuação para se alcançar a superação da atual condição de subalternidade que a cultura universitária brasileira tenta irracionalmente mascarar no seu funcionamento e na percepção de si mesma.
Encaminhamentos/informativos:
a)      A Seção Regional RS deverá promover cursos de formação sindical para os docentes;
b)      Promover um debate sobre a dívida pública, em parceria com a Auditoria Cidadã;
c)      As seções sindicais deverão contribuir para o Fundo da Greve nacional;
d)      A participação na Marcha dos servidores federais à Brasília será dia 22 de julho e deverá ocorrer o rateio de despesas entre os sindicalizados por categoria;
e)      Os encontros regionais de educação deverão ser promovidos no próximo semestre, em vista do Encontro Nacional que ocorrerá em 2016;
f)       Ocorrerá um ato público entre os servidores federais na primeira semana de agosto;
g)      O próximo encontro da regional (XIII) deverá ocorrer na seção sindical da UFSM (SEDUFSM)

SESUNIPAMPA dispõe de serviço de Assessoria Jurídica para sindicalizados
A SESUNIPAMPA conta com o serviço de Assessoria Jurídica, disponibilizada pela Regional Rio Grande do Sul às seções sindicais que não a possuem - no caso, a nossa e a Seção Sindical do ANDES na UFRGS. Qualquer sindicalizado que quiser fazer uso da mesma deve entrar em contato com a SESUNIPAMPA (sesunipampa.andes@gmail.com) para encaminhamento posterior. Estamos neste momento vendo a possibilidade de usar a Assessoria Jurídica para montar o processo de pedido da penosidade. Sobre este assunto, aguardem notícias em breve.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sobre fantasmas e professores!

Sobre fantasmas e professores!

Rafael Cabral Cruz


   "É muito mais difícil matar um fantasma do que uma realidade" (Virgínia Woolf). Assim a autora descreve as dificuldades de lutar contra o "Anjo do Lar", estereótipo de papel da mulher vitoriana introjetado no seu inconsciente pela cultura dominante. Poderia perguntar, neste contexto, quais seriam os fantasmas que assombram nossa capacidade de construir um mundo melhor, de construir uma universidade que realmente construa cidadania?
   O primeiro fantasma é o senso comum. Este senso comum que coloca que somos servidores públicos que devem seguir as ordens superiores, na cadeia de comando que vai do MEC até a nossa sala de aula ou nosso laboratório. Este senso comum que, repleto de reuniões, cria uma sensação de democracia, de participação, mas que na prática, somente existe para confirmar e justificar o senso comum, cuja função, como de todos os aparelhos idológicos do estado, é reproduzir a cultura dominante neoliberal. As questões mais importantes são decididas fora do âmbito das reuniões que consomem boa parte das horas disponíveis dos docentes. Deste modo, vai se criando uma cultura de usar destes instrumentos - as instâncias colegiadas e dos processos eleitorais, que deveriam ser fóruns democráticos -, como mero local de tomada de decisões. Como as decisões fundamentais não são tomadas no contexto da autonomia, estas tomadas de decisões acabam por ser o local onde as relações de solidariedade entre indivíduos, baseada na troca de favores e proteção mútua, denominada pelo antropólogo Eric Wolf como amizade de panelinha, acabam por estabelecer um jogo político de cartas marcadas. É um jogo político marcado pela disputa pelos recursos escassos institucionais, pelas migalhas que sobram do banquete efetuado pelos verdadeiros tomadores de decisão, que sentam em Brasília com os lobbies políticos e financeiros e que decidem quanto será concedido para cada instituição. Como estes grupos atuam como meros instrumentos de sobrevivência em meio à escassez, não se constroem como instrumentos de transformação da realidade: pelo contrário, a reforçam e a reproduzem, defendendo os seus critérios produtivistas nas instâncias pertinentes, especialmente quando estes fortalecem suas posições na disputa pelos mesmos recursos escassos.
   O segundo fantasma, que é consequência do primeiro, é o fantasma da falta de transparência. Este é o pior fantasma, porque ele se manifesta de uma forma que solapa as bases da construção de qualquer democracia: a ausência de debate. Como as assembleias são vistas como mero local de disputas de panelinhas e como instâncias de tomada de decisões, grande parte dos docentes, que deveriam ser instrumentos críticos da sociedade, exemplos para os alunos de consciência crítica e, portanto, seres humanos participando do jogo democrático, acabam comparecendo nas reuniões somente para defenderem seus interesses: ou seja, vão, votam de acordo com o seu grupo de interesse e não se manifestam. Acabam se transformando em fantasmas dentro do jogo político. Sim, porque não se expõem. Não defendem publicamente suas ideias, seus argumentos. É perigoso manifestar publicamente suas ideias, pois pode haver julgamento e exclusão do grupo que se define pelas alianças das amizades de panelinha. Basta comparecer, votar e demonstrar para os líderes do grupo sua fidelidade. Assim, o fantasma vota em grupo, mas o grupo opta por não participar do embate democrático. É pressuposto da democracia que as pessoas possam optar, entre as alternativas, de forma racional, ou seja, através do confronto de ideias e argumentos. Um democrata verdadeiro defende suas posições como deve fazer um verdadeiro cientista: sempre sabendo que sua verdade é relativa e que pode ser mudada por argumentos consistentes, sólidos, bem fundamentados. Portanto, um democrata é um ser mutante, capaz de ser convencido! No entanto, quando os grupos não expõem seus argumentos e não defendem suas ideias, a racionalidade da democracia, baseada no embate dos argumentos, no pressuposto de que as pessoas podem mudar de ideia quando avaliam os argumentos dos outros, deixa de existir, e no local desta racionalidade se coloca um espírito de corpo do grupo, que assume vitórias ou derrotas em votações de modo passional e subjetivo. Solapa-se o fundamento da democracia, pois esta não se manifesta unicamente na decisão tomada, na votação, mas acima de tudo, no processo de embate entre as ideias, na capacidade de convencimento e na admissão da mudança de posição diante de argumentos mais fortes. Se o processo não é democrático, a eleição também não é. Este fantasma, que reproduz a cultura dominante mais que qualquer outro, é o pior para ser matado, no sentido de Virginia Wolf. Ele, não apresentando seus argumentos, não se expõem, não oferece oportunidade para o debate, não almeja convencer seu oponente no campo dos argumentos, pois este é visto como um inimigo a ser derrotado, não como um colega no mesmo campo de construção da democracia na universidade. O seu único e verdadeiro compromisso não é com os objetivos de construir uma educação de qualidade, gratuita, que desenvolve um perfil de egressos baseado na construção da cidadania, da democracia e do desenvolvimento sustentável da nossa região, como consta nos nossos documentos que estabelecem, no papel, o que desejamos, mas com os objetivos de seu grupo de interesses. E assim, o exemplo que dão para os estudantes é de passividade frente à realidade: para que lutar por algo melhor? Melhor seria se juntarem para defenderem seus interesses e jogar de acordo com as regras estabelecidas pelos senhores do mundo! A lição que se dá para os estudantes é de como se constroem lobbies para defenderem seus interesses. Deste modo, este fantasma vai destruindo as bases que deveriam ser construídas pelo debate franco e respeitoso, bases estas que permitiriam que a universidade permitisse o florescimento de uma consciência crítica que permita, de fato, a construção de uma cultura democrática na instituição, que se oponha a esta cultura autocrática, reproduzida pelos grupos de interesses baseados em  amizades de panelinha. Este fantasma é a cultura dominante neoliberal introjetada no inconsciente dos professores!
   Este fantasma se coloca entre a universidade que temos e a que queremos: uma universidade em que, independentemente de posicionamentos, todos nos respeitemos como colegas que lutam pela mesma finalidade, onde andemos pelos corredores e cruzemos não por fantasmas, mas por colegas que conhecemos, transparentes, pessoas que respeitamos porque, através do debate e da argumentação, podem contribuir para nosso crescimento e nossa mudança. Não fantasmas, mas colegas!