quinta-feira, 16 de julho de 2020

O debate sobre o retorno das aulas em tempos pandêmicos: voltamos ao “normal”?


A SESUNIPAMPA conversou com a presidente da Seção Sindical do ANDES-SN na UFRGS, Rúbia Vogt, sobre os impactos da pandemia do coronavírus na comunidade acadêmica e como a proposta de ensino remoto vem trazendo preocupações para as Universidades do Brasil.

   A pandemia da COVID-19 assola nosso país a mais de 3 meses e seus impactos são diversos. Estabelecimentos, instituições, comércio, todos estão buscando alternativas que reduzam os efeitos da pandemia e de alguma forma garantir o funcionamento desses espaços.
  Nas universidades as aulas presenciais foram todas suspensas, e sem previsão de um retorno seguro, algumas aderiram a modalidade de ensino remoto. Na UNIPAMPA, o debate sobre um possível retorno surge de maneira atropelada e recentemente. Com a justificativa de “não perder o ano acadêmico” a reitoria apresentou uma proposta de calendário que não contemplou a comunidade acadêmica, gerando muitos debates em todas as categorias, causando preocupação e aflição aos vulneráveis socialmente, que logo se viram excluídos da proposta.
  Deixando várias lacunas a serem preenchidas, a proposta ainda se encontra em discussão e não foi aprovada pelo CONSUNI, tendo em vista que a categoria docente ainda apresenta muitas questões e exige explicações por parte dos proponentes, pois entende que além da problemática dos discentes possuírem acesso ou não, questões trabalhistas também não foram explicitadas.

Voltamos ao “normal”?

  Mesmo com toda problemática que estamos vivendo, surge em nossa sociedade uma discussão que leva a pensar que estamos entrando em um novo momento, considerado o “novo normal”, como se fosse possível excluirmos a importância da interação social de maneira presencial. As reuniões de trabalho, organização, grupos ou qualquer segmento que se faz necessária discussão em grupo ocorrerem de maneira virtual seria o considerado, “novo normal”. Compras pela internet, seja de insumos de sobrevivência ou utilidades gerais, desconsiderando trabalhadores nesse processo e tornando suas funções desnecessárias, também seria considerado o “novo normal”.
   O que não se discute, e não se considera o novo normal, é o adoecimento das pessoas de maneira geral, enquanto número de mortes pela COVID-19 e enquanto adoecimento psíquico por parte não só dos trabalhadores como de crianças, jovens, adultos e idosos fora dos espaços produtivos de trabalho. A população é afetada e sofre de todas as formas, desde a mãe que esta com seus filhos em casa sem aulas presenciais ou acesso aos materiais de estudos, a própria criança sem o espaço de interação social e aprendizagem, o idoso que hoje limita suas atividades e contatos visando preservar sua vida, os professores (sejam eles do ensino superior ou da educação básica) que estão trabalhando de maneira remota, sem nenhum auxilio dos governos e sem garantia de que seu conteúdo esta chegando aos educandos.
   O novo normal esta sendo considerado dentro de um contexto onde a pandemia não esta contida e onde não há sequer perspectiva de um retorno realmente ao estado de normal, já que o normal é que o povo esteja em segurança, com saúde e tendo acesso a todos os serviços que o Estado deve proporcionar.
   Considerar um retorno das aulas dentro dessa análise, de um falso novo normal, que na prática aliena a população referente a realidade vivenciada hoje, é algo cruel e que fere diretamente a condição humana que deve ser digna. Não é, e não deveria ser um problema que o ano de 2020 seja excluído do calendário acadêmico, pois, não depende da reitoria, dos professores, alunos ou técnicos a contenção da pandemia, e sim, única e exclusivamente dos governos.
  A discussão que deve ser feita no momento, é da ampliação das atividades que os docentes já vem exercendo para a oferta de disciplinas que auxiliem em carga horária complementares, como DCGs e ACGs. Mesmo mantendo uma rotina de trabalho durante a pandemia, o senso comum reproduz que os servidores públicos estão recebendo sem trabalhar, o que é uma falácia. Existem alternativas que podem ser pensadas visando a não exclusão dos vulneráveis socialmente e dos que se encontram em situação de adoecimento. Em meio a perda de entes queridos e do povo brasileiro em geral, impor um retorno das atividades acadêmicas obrigatórias é uma atitude violenta e agressiva para com as pessoas.



Entrevista da semana

   A SESUNIPAMPA conversou com a Rubia Vogt, que é presidente da Seção Sindical do ANDES-SN na UFRGS, e debateu sobre as questões apresentadas acima, buscando ampliar a construção de uma alternativa que não seja excludente e que contemple as Universidades sem precarizar a educação público e o processo de ensino-aprendizado, visando não prejudicar nem discentes e nem docentes durante a execução de seu trabalho.
           
SESUNIPAMPA: O que a pandemia afetou e vai afetar nos processos educativos nas universidades do Brasil?

Rubia: “Penso que a situação que se apresenta para o campo da educação como um todo, independente do nível, etapa, modalidade, é o aprofundamento de desigualdades. Com a suspensão das atividades presenciais, por conta do imperativo do isolamento social para conter o avanço do Coronavírus, atividades de ensino estão sendo mediadas por tecnologias. Não há uma transposição direta entre presencial e digital, e resta saber se esta mudança se traduzirá em aprendizagem. Temos no país um sério problema de acesso ao mundo digital, seja por conta da falta de pacotes de dados ou da limitação deste, seja pela ausência de dispositivos eletrônicos. Na educação básica, temos muitas famílias com apenas um aparelho de celular para atender a todos de casa. Então, crianças e jovens se revezam no uso deste aparelho, que não foi pensando como um dispositivo para estudo. E este mesmo celular ainda é de uso dos adultos, até para fins de trabalho. Na universidade pública, temos de pensar que, junto com as ações afirmativas que aos poucos estão mudando as instituições, precisamos de políticas de permanência: muitos(as) discentes dependem de auxílio para moradia, alimentação, transporte, compra de materiais, etc. Ainda, com a crise econômica e seu aprofundamento na pandemia, muitas famílias dos(as) estudantes perderam suas fontes de renda, o que diminui as chances de poder se dedicar aos estudos, pois muitos(as) jovens e adultos(as) precisam usar seu tempo para buscar uma alternativa para a sobrevivência. A crise sanitária também afeta a rotina, com sobrecarga de trabalho doméstico e situações de adoecimento psíquico. Em meio a este cenário pandêmico, as universidades públicas mais uma vez mostraram sua relevância para a sociedade brasileira. Mesmo com os constantes e aprofundados cortes de verbas, mesmo com as acusações infundadas e ataques vindos do chefe máximo do Ministério da Educação, junto aos(às) servidores(as) as universidades seguiram contribuindo no combate à Covid-19. Por meio da pesquisa e da extensão, as universidades e também os institutos federais seguem atuando promovendo soluções na área da saúde; e não só: todas as áreas estão ativas e contribuindo, como, por exemplo, as pesquisas de ciências humanas que analisam e registram os diversos aspectos da pandemia.”


SESUNIPAMPA: Como avalias as propostas de ensino remoto que tem sido propostas na atualidade pandemia?



Rubia: “Chama a atenção que em poucas semanas se naturalizou um conceito antes bastante desconhecido: o “ensino remoto” e suas variantes lingüísticas. De um lado, temos um desejo muito humano de alguma “normalidade” ao recuperar práticas e rotinas interrompidas pela pandemia, a boa vontade de docentes e técnicos(as); do outro, a questão do aprofundamento das desigualdades, pois quem já tinha dificuldades para estudar, terá ainda mais. Vemos estudantes e também os pais da educação básica preocupados com se perder o semestre, se perder o ano letivo. No entanto, o que está verdadeiramente em jogo é a preservação da vida, a qual, se perdida, não tem volta, diferente da aprendizagem, que se retoma. Vemos algumas instituições que não estão conduzindo os processos de implementação do ensino emergencial de forma democrática, pois estão prescindindo do diálogo e amplo debate com a comunidade acadêmica. Também desconsideram as condições de acesso dos(os) discentes e a precarização do trabalho de técnicos(as) e docentes a partir de suas casas, sem formação em ead – que possui regulamentação e didática própria – e com seus próprios recursos materiais. Outro aspecto que merece atenção é que as propostas de ensino emergencial são uma larga porta aberta para aprofundar a privatização da educação pública. Não se trata de um leilão de transferência, mas da compra de pacotes e plataformas de empresas privadas, as quais, no caso das universidades públicas e institutos federais, ainda terão acesso não só ao ensino, mas também a dados e à produção de conhecimento por meio das pesquisas empreendidas por estas instituições. Gostaria de mencionar também o aumento de casos de invasões a atividades no ambiente educacional digital (palestras, aulas, etc), com ataques racistas, machistas, homofóbicos. Há pouco lutávamos pela preservação de nossas aulas; agora, estamos nos expondo digitalmente sem segurança. Todo o malabarismo lingüístico em torno do ensino remoto, parece, é para evitar que se diga que se trata em muitos casos, de uma EaD precarizada.”

SESUNIPAMPA:     O que seria uma volta alternativa com semestres sem uma oferta regular e qual sua importância?

Rubia: “Não podemos desconsiderar os(as) alunos(as) que podem e que gostariam de manter algum vínculo, nem a vontade de técnicos(as) e professores(as) em retomar as atividades de ensino. Por outro lado, não podemos proporcionar uma continuidade para alguns, deixando tantos(as) outros(as) para trás, acentuando desigualdades por meio da educação. Aliás, mesmo dentro do grupo de estudantes que têm condições de acesso ao ensino remoto, é preciso atenção a casos específicos, às questões de gênero, por exemplo. As alunas mães (assim como técnicas e professoras) têm demandas próprias no ambiente acadêmico, que se agudizam na quarentena e necessitam de atenção especial. Acredito que os(as) formandos(as) também merecem um outro olhar neste momento, diante da possibilidade de conclusão de curso. Então, além da atenção a cada discente, podemos pensar em disciplinas eletivas, em atividades de pesquisa e de extensão, em projetos voltados para o contexto da pandemia; em serviços prestados à população em geral. A suspensão das atividades presenciais nas universidades e institutos federais não parou estas instituições. Seguimos ativos e atuantes.”

Fortaleça a luta sindical e a SESUNIPAMPA na defesa da categoria docente, filie-se!

terça-feira, 14 de julho de 2020

ANDES-SN emite nota de repúdio a tentativa de remoção da sede da ASSINES pela Direção Geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos.

Confira a nota da Diretoria Nacional do ANDES-SN de repúdio à Direção Geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos pela tentativa de remoção da sede da ASSINES.



sexta-feira, 10 de julho de 2020

SESUNIPAMPA convoca a categoria docente para Assembleia Geral Virtual



GESTÃO 2018-2020
CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL

            Em meio ao enfrentamento da maior crise sanitária já vivenciada na humanidade provocado pelo COVID 19 e que assola nosso país onde o governo atual tem demonstrado pouco caso, falta de coordenação e preocupação com a sociedade brasileira a luta não para. Nesse sentido:
            Considerando que na UNIPAMPA estamos em pleno processo de discussão sobre a volta as aulas através de ensino remoto, atividade que tende a precarizar a atividade docente e o próprio processo de ensino-aprendizado, assim como excluir parcelas da comunidade discente. Discussão iniciada em nossa primeira plenária virtual realizada mês passado e expresso na nota 003/20.
Considerando a proximidade de um CONAD extraordinário virtual que vai pautar a atual conjuntura e fortalecer nossa principal ferramenta de lutas, o ANDES-SN, a partir da prorrogação do mandato da atual direção nacional.
Considerando que foi instituída a lei 14.010 de 2020 que permite a realização de assembleias virtuais deliberativas ate o dia 31 de outubro. E que nos viabiliza portanto em meio a pandemia em formato de exceção, podermos definir algumas questões fundamentais para a categoria e nossa luta.
A partir dessas considerações a Seção Sindical dos Docentes da UNIPAMPA – SESUNIPAMPA - convoca a todas e todos para uma assembleia virtual:
Dia: 16 de julho – quinta - feira
Horário: 1ª chamada - 9: 00 -   2ª chamada 9:30 (com qualquer quórum)
Local: on-line via googlemeet
Pauta:
1) Conjuntura
2) Enfrentamento ao COVID 19 e nossa posição sobre ensino remoto na UNIPAMPA
3) Eleição de delegado(a) e observadores para o CONAD extraordinário
4) Informes gerais
Como participar: a) Para inscrição e participação na assembleia online, docentes da UNIPAMPA devem enviar um e-mail manifestando o interesse para sesunipampa@gmail.com até a próxima quarta-feira, dia 15 até as  16h, b)O link do google meet será enviado para o e-mail de todos e todas que se inscreverem na assembleia geral.
Saudações sindicais,
Cesar Beras
Presidente da SESUNIPAMPA
UNIPAMPA, 10 de Julho de 2020

Seções sindicais do ANDES-SN no RS denunciam trabalho remoto precarizado



JORNADA NACIONAL DE LUTAS 10/07/2020
MANIFESTO DAS SSIND DO RS do ANDES-SN

Já ultrapassamos a casa dos 1.600.000 brasileiros contaminados pela COVID 19 e mais de 70000 mortes. Apesar deste duro cenário sanitário, o governo Bolsonaro mantém e agudiza os ataques aos direitos sociais dos trabalhadores, em especial, dos servidores públicos do campo da educação e da saúde, intensificando a precarização do trabalho nesse momento conjuntural. Uma das armadilhas está na implantação de diferentes formas de "ensino remoto", processo recheado de contradições, sem garantias técnicas e pedagógicas para a realização de um ensino de qualidade nas Universidades e Institutos Federais.
As Instruções Normativas n. 19, n. 21 e n. 27, do Ministério da Economia, regulamentam o trabalho remoto, com medidas de controle de produtividade, e desconsiderando as condições precárias de trabalho preexistentes à pandemia. Esta política vem ao encontro do recomendado pelo Banco Mundial e organismos internacionais que desejam lucrar com essa “fatia do mercado" que é a educação pública, difundindo um modelo educacional a partir da privatização, sem preocupação com a formação social dos estudantes. 
Para nós, este modelo destrói a educação pública, não traz preocupação com as atividades a que se destinam as universidades, não aborda condições pedagógicas ou de infraestrutura, e agrava a desigualdade educacional, social e racial no Brasil. Além disso, fere a Constituição Federal em seu Art. 207, que trata da autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das universidades; prevê cortes salariais, suspensão de concursos públicos, mais contingenciamentos nos orçamentos, perda de outros direitos ainda existentes, redução do número de terceirizados/as no setor público e várias outras medidas. A uberização das atividades para manter o lucro dos grandes empresários tem sido adotada em todas as atividades.
Enquanto isso, sofrem famílias inteiras neste cenário agravado pela pandemia. O desrespeito da administração federal com a sociedade brasileira é inadmissível. Não reconhece o papel fundamental do Estado para a garantia de condições mínimas de dignidade e vida da população, não reconhece o valor e a importância dos servidores públicos e os desqualifica frente à sociedade, e debocha jocosamente as famílias que perderam entes próximos neste contexto do coronavírus.
Não nos curvaremos a essa política genocida. Estamos atentos à falácia de soluções mágicas para a questão da suspensão das aulas durante a pandemia. Nosso objetivo é restaurar coletivamente o papel da educação, em defesa do público e do interesse público, com o compromisso de defesa da vida, com respeito e solidariedade social. Por uma educação, pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada.

#ForaBolsonaroMourao
#EmDefesaDaVida
#PelasLiberdadesDemocraticas
#PelosDireitosDosTrabalhadores

quarta-feira, 8 de julho de 2020

SESUNIPAMPA participa de reunião conjunta dos setores do ANDES-SN



  Aconteceu na ultima quinta-feira (02) a reunião conjunta dos setores das IEES/IMES e IFES do ANDES-SN. Devido a pandemia do coronavírus, a reunião novamente foi de maneira virtual, e se dividiu em 2 turnos, pela manhã e a tarde.
  Com a finalidade de discutir a conjuntura da educação pública brasileira, o primeiro momento foi de repasses de informes por parte das seções sindicais que integram o sindicato nacional e posteriormente se iniciaram debates a cerca do trabalho e ensino remoto e a abertura da modalidade EaD, sugerida pelo Ministério da Educação para que sejam retomadas às aulas.
   Também foi discutida a Lei 14.010/2020 e as Assembleias On-line, tendo em vista que o Estatuto do ANDES-SN não prevê esta modalidade como meio deliberativo, mas que em um momento como este, de excepcionalidade, todas as seções devem buscar manter o dialogo com a base através dos meios virtuais, já que a organização sindical e mobilização das lutas não podem parar.

A SESUNIPAMPA se posiciona durante a reunião...

  Como representante da seção sindical SESUNIPAMPA na reunião, o presidente, Prof. Cesar Beras, repassou aos demais participantes a atual situação da Unipampa e da categoria docente, que enfrenta um calendário acadêmico proposto pela reitoria de maneira atropelada e sem diálogo com a base da universidade. O professor também contribui com uma análise conjuntural, e apontou questões diretas que demonstram a displicência do governo federal para com o serviço público.

“Vivemos um processo de necessária resistência à construção de um nicho neoliberal no Brasil, representado pelo governo Bolsonaro, aturado pela burguesia nacional, mesmo que em suas disputas de frações, setores militares e setores do judiciário, que se assenta em aproximadamente 30% da população. Verificamos como exemplo simbólico disso um modus operandi de construção do governo sem nenhum a preocupação com sua composição (vide ausência do ministro de saúde e dificuldades em nomear um ministro da educação). Não há respeito às instituições  publicas e sua condução. Há uma desresponsabilização e destruição de um Estado Social e das necessárias politicas publicas voltadas para as reais necessidades das pessoas. Não obstante, percebemos que há uma nítida orientação e construção/afirmação de um projeto ultraliberal de privatização do Estado Público. Os desmandos do governo expresso em seu modus operandi e os escândalos que o rondam não atrapalham e nem estão atrasando esse projeto. Neste cenário, aliado ao atropelo governamental por uma volta as aulas por ensino remoto que se configura nossa quadro de necessária resistência, algo que ja estamos fazendo e precisamos potencializar.” (Prof. Cesar Beras)


  O professor também contribuiu com a análise da SESUNIPAMPA sobre o trabalho remoto, que hoje se apresenta enquanto uma séria problemática da categoria docente e que aumenta o processo de precarização tanto do processo de ensino aprendizado, como da própria profissão docente. Pensando também a proposta de calendário da reitoria, Beras diz que:


“O ensino remoto é uma forma direta de precarização e adoecimento da categoria profissional, pois causa uma dupla submissão: do processo de ensino aprendizado à uma logica de ensino digital apressada, um arremedo de EaD, sem as condições de acesso e de utilização adequadas e causa o adoecimento profissional e de toda a comunidade acadêmica, a partir de uma serie de coisas não resolvidas (bolsas, recuperação, aulas praticas, avaliações) em tempos de pandemia acontecendo, aonde sentimos emocionalmente seu impacto. Aqui na UNIPAMPA o processo de “volta as aulas” esta sendo atropelado já com uma tentativa para o dia 20 de julho e outra agora para a primeira semana de agosto. Um processo fragmentado, que joga a responsabilidade para os campus, gestores e professores(as) e que enquanto “consulta” já esta também em andamento com formações aceleradas para plataformas digitais e ignorando uma serie de preocupações dos 10 campi da universidade. Além de se querer por aqui, realizar dois semestres em um. Estamos resistindo pela base e buscando  enquanto categoria afirmar a democracia e transparência na discussão de retorno, a não exclusão de ninguém, ninguém pode ficar para trás e a preservação acima de tudo de todas as vidas. Neste sentido vamos resistir até o fim.” (Prof. Cesar Beras).
    Referente às questões das assembleias virtuais, e demais atividades e ações que estão tendo a necessidade de acontecer de maneira virtual, o representante da seção entende que mesmo aderindo a modalidade virtual temporariamente, não significa que a mesmo tenha “vindo para ficar” ou que deva ser implantada permanentemente, apenas não se deve esvaziar debates devido a problemática presencial.

“As assembleias e o CONAD, razão de ser dessas ocorre em um momento de excepcionalidade não significa em momento algum a mudança de nossa metodologia de usar mecanismos de participação direta e não capitular a processo on-line. Neste momento tal processo é uma tarefa politica de fortalecimento jurídico e politico da prorrogação do mandato da atual direção. Portanto é um processo de pacto político para o momento sobre a utilização de assembleias e encontros virtuais.” (Prof. Cesar Beras)

Entrevista com a Celeste Pereira, Presidente da ADUFPEL.
 Conversamos com a Presidente da ADUFPEL, Celeste Pereira, sobre a reunião dos setores e sobre a questão do retorno das aulas da maneira como está ocorrendo nas universidades. Considerando os 41 anos da ADUFPEL, também dialogamos sobre como a seção sindical vem enfrentando tantos ataques à educação e a categoria docente.

SESUNIPAMPA: Considerando nossas análises realizadas na última reunião dos setores do ANDES/SN (em 02 de julho) quais os principais desafios colocados pela conjuntura?

Celeste: “Temos que compreender que os empresários das grandes corporações da educação estão de olho nesta "fatia do mercado" e que isto não é um interesse pontual nem surgiu agora. Reflete a orientação do banco mundial para os países em desenvolvimento: considerar a saúde e a educação como serviços a serem explorados no mercado. E, neste momento, encontram eco e apoio no (des)governo Bolsonaro e Mourão. Por isso, os servidores públicos estão na mira do governo. Desqualifica-los e desconstruir sua carreira e direitos é preparação do terreno para entregar para a iniciativa privada estes bens tão caros para a população brasileira e conquistados na luta. Além disso, a perspectiva segregadora onde pretos e pobres não terão acesso aos bancos das universidades.”

SESUNIPAMPA: Como você avalia as tentativas de inserção do  ensino remoto como alternativa de volta às aulas?

Celeste: “Temos estudado muito esse tema. Considerando o perfil dos nossos estudantes, sabemos que boa parte deles são de famílias humildes, muitas em situação de vulnerabilidade social mesmo. As tecnologias e seus avanços representam um avanço científico sem dúvidas, mas há que se considerar a realidade de uma parte grande da população. Os celulares são tecnologia disseminada pelo mundo, porém nem todas as famílias tem condições de te-los; nem todos têm acesso à internet e, quando tem, é através de alguma rede pública ou aberta. Além disso, muitos dos nossos estudantes, tem aparelhos celulares para comunicação nas redes sociais. São aparelhos que não comportam aplicativos ou programas para acompanhamento de aulas remotas. Esta realidade esta posta também para os docentes que, neste momento, precisam utilizar ser próprios equipamentos para a organização de aulas online, com seus recursos próprios e, muitas vezes, sem domínio das plataformas virtuais, já que significam um cenário muito diverso daquele que se coloca nas atividades presenciais. Sem contar no reflexo para o processo de ensinar e aprender, onde a  troca e o contato atento aos  processos individuais e coletivos são fundamentais. Estes são alguns argumentos, mas o debate é ainda mais profundo. A pandemia nos exige adaptações, mas não podemos perder de vista o papel de formação de sujeitos críticos no mundo com capacidade para intervir na sociedade. Esta linha mestra do processo formativo é que está sendo atacada.”




SESUNIPAMPA: A ADUFPEL completou 41 anos de existência como entidade que defende os interesses da categoria docente. Como tem sido a luta neste contexto de pandemia e considerando as medidas de apressamento de volta às aulas na UFPEL?

Celeste: “Trago aqui alguns elementos para uma analise inicial, pois é tema complexo demais, com inúmeras possibilidades de desdobramentos. Nossa entidade surgiu exatamente para defender os interesses da categoria docente na perspectiva classista, compreendendo que somos todos trabalhadores, com regras de contrato a cumprir, carga horária, tarefas, produtos a realizar e salário pelo cumprimento das atividades contratadas. Neste sentido, e considerando o cenário nacional, temos buscado debater as propostas encaminhada junto à UFPEL.  O calendário alternativo aprovado no COCEPE ignorou as considerações e apelos das entidades representativas. Para nós, reflete o ensaio para a implantação do ensino remoto 'emergencial', para que assuma caráter de permanência e mantenha inclusive afastadas as categorias, o que dificulta sua organização política, além de significar um retrocesso do ponto de vista da inclusão social. O estado investirá em comprar plataformas do setor privado, ou estabelecer parcerias com essas grandes corporações, que implicação na padronização do ensino com utilização de materiais didáticos pré estabelecidos, sistema de controle externo sobre estudantes e trabalhadores, e sobre os produtos construídos nas universidades que deverão servir ao mercado e não necessariamente à sociedade. E nem tocamos aqui nos aspectos psicológicos trazidos neste contexto de pandemia.”

segunda-feira, 6 de julho de 2020

AJN emite análise complementar á Nota Técnica sobre ensino EaD

Confira a análise complementar  da AJN à Nota Técnica de 17 de junho de 2020, referente a Nota Conjunta  nº 17/2020/CGLNRS/DPR/SERES/SERES, que subsidiou a publicação da Portaria nº 544, de 16 de junho de 2020, que versa sobre a substituição de aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia da COVID-19.

 "Tal elemento é um forte fundamento ao qual se apega o Ministério da Educação para endossar a autorização de disciplinas práticas mesmo a distância. Há, porém, preocupação relevante já manifestada por esta Assessoria em Notas Técnicas anteriores no sentido de que há potencial subversão dos procedimentos para a adoção das metodologias de ensino a distância, com o aproveitamento de uma situação excepcional para simplesmente forçar uma justificação da transição para um modelo digital de ensino. Nesse mesmo sentido, note-se, a Nota Técnica Conjunta nº 17, ora analisada, aponta até mesmo a possibilidade de que seja superado o limite de 40% da carga horária por meio de disciplinas na modalidade a distância, já que há uma compreensão de que eventuais disciplinas realizadas neste formato, em meio à pandemia, não poderiam ser computadas para efeitos do cálculo daquele limite. Com isso, portanto, o MEC parece compreender que o limite dos
40% da carga horária em modalidades a distância apenas se aplica aos períodos de normalidade, o que autorizaria, sem maiores questionamentos, a adoção atual do ensino a distância."

Confira a nota completa:



quinta-feira, 2 de julho de 2020

SESUNIPAMPA e SINDIPAMPA emitem nota conjunta e informativa sobre reunião com a Reitoria

No dia 30 de junho a SESUNIPAMPA e o SINDIPAMPA participaram de uma reunião com a reitoria da UNIPAMPA. 

"O reitor fez a abertura da reunião, comentando sobre a agenda que havia sido prevista para março com os sindicatos (inviabilizada pela pandemia), e a manutenção da ideia de uma apresentação para estabelecer, junto aos sindicatos, uma agenda comum e um espaço de diálogo. Após aproximadamente duas horas de reunião, em que refletimos até o ponto 4 da pauta, discorremos sobre várias questões estratégicas para a universidade, para as categorias e para a comunidade acadêmica como um todo"

Confira a nota completa: