segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Assessoria jurídica do ANDES-SN emite análise sobre o Projeto Future-se

Considerando as alterações sofridas no Projeto de Lei que visa instituir o FUTURE-SE, o ANDES-SN compartilha a análise da Assessoria Jurídica Nacional (AJN): Considerações sobre o Projeto de Lei nº 3.076/2020, que institui o “Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras – FUTURE-SE”.








quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Confira a Carta da Plenária Nacional dos(as) Trabalhadores(as) em Educação

 A Carta da Plenária Nacional dos(as) Trabalhadores(as) em Educação (abaixo), foi lançada pela Plenária temática do Fórum Sindical, Popular e de Juventudes de luta pelos Direitos e Liberdades Democráticas, que ocorreu no dia 5 de setembro, e foi realizada com o objetivo de promover o debate sobre o ensino remoto, organização da luta contra a volta das aulas presenciais e organização da Conferência preparatória para o Congresso Mundial da Educação.





terça-feira, 8 de setembro de 2020

A luta das instituições de ensino federais em meio á pandemia da COVID-19

 

As instituições de ensino federais foram e são alvos do governo Bolsonaro desde o inicio da pandemia, conversamos com o presidente do SINDOIF sobre as perspectivas de luta e resistência em meio ao cenário de destruição do ensino público.

As instituições de ensino em meio á pandemia

     A pandemia da COVID-19 impossibilitou muitos serviços devido a propagação pelo vírus se dar através do contato entre pessoas. Nos espaços educacionais, onde existia um número considerável de pessoas por sala de aula, não foi diferente. As aulas foram suspensas em todos os níveis, desde o ensino básico ao ensino superior.
       O coronavírus que chegou com força no Brasil em março, se estende ainda ao mês atual (setembro) e não apresenta perspectiva de erradicação, já que os governantes não possuem uma política de enfrentamento, e em sua grande maioria destinou forças para proteger a economia (grandes empresários).
     Em Manaus o retorno das aulas presenciais para o ensino básico resultou em mais de 342 professores contaminados.

 Em apenas 15 dias da volta às aulas presenciais em Manaus (AM), 342 professores do ensino médio da rede pública testaram positivo para o novo coronavírus. As aulas no ensino médio foram retomadas no dia 10 de agosto.  A situação fez com que o governador Wilson Lima (PSC) decretasse o adiamento por tempo indeterminado da retomada das atividades do ensino fundamental, que deveria ter começado na última segunda-feira (24). Porém, as aulas presenciais no ensino médio foram mantidas” (ANDES-SN, 09/2020 – matéria completa em: https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/apos-retorno-do-ensino-medio-presencial-em-manaus-342-professores-ja-foram-contaminados-pelo-novo-co)           

       No IFRS, as aulas estão ocorrendo de maneira não presencial, mas os efeitos do ensino remoto já estão se manifestando e trazendo angústias para a categoria docente e para os alunos, tendo em vista que as desigualdades sociais são acentuadas em meio a necessidade do uso da tecnologia e do acesso as redes de internet, as quais não são todos que possuem capital financeiro para ter tais serviços disponíveis.

        Na matéria do SINDOIF (Seção sindical do ANDES-SN no IFRS) denominada “As consequências e os significados do ensino remoto”, atentamos para o debate sobre a atribuição de novas palavras para modalidades que possuem o mesmo significado, como uma forma de legitimar as ações excludentes das reitorias e governos displicentes.

Segundo a Profª Kate Lane, docente da carreira EBTT que atua no COLUNI, na Universidade Federal Fluminense (UFF), vivenciamos “o incrível caso da geração que leu Foucault e acreditou que, mudando as palavras, mudariam as coisas. Não se fala em Educação à Distância, mas em Educação Não Presencial; não damos aula online, fazemos encontros virtuais simultâneos; não aceitamos imposições, nós as “ressignificamos”; não temos mais emoções, temos “gatilhos”; porque, agora, tudo é “potência”. E as coisas seguem exatamente como sempre foram: desiguais e excludentes.” (SINDOIF, 08/2020 – matéria completa em: https://www.andes.sindoif.org.br/2020/08/27/as-consequencias-e-os-significados-do-ensino-remoto/)

      A problemática se estende as universidades federais, como a UNIPAMPA, que inicia nesta semana as aulas através do ensino remoto, e deixou lacunas no que se refere á inclusão dos alunos mais vulneráveis e também questões trabalhistas docentes.

Os cortes nas instituições de ensino federais

      Em meio ao enfrentamento das demandas do ensino remoto, em agosto o MEC anunciou a redução orçamentária dos recursos destinados á educação. O corte (de R$ 4,2 bilhões) afetará diretamente no funcionamento das instituições de ensino federais, mais especificamente no que se refere ás contas de água, luz, serviços de limpeza, entre outros.
      O ANDES-SN lembra que é importante pressionar os parlamentares para que não votem a favor do corte, e que assumam seu compromisso com a educação pública, e não com a política do governo Bolsonaro, que é entreguista e não valoriza os serviços públicos, bem como seus profissionais. Os cortes ocorrem devido a aprovação da EC 95, que congela os gastos públicos até 2036.

O orçamento alocado para verbas discricionárias do MEC caiu de R$ 21,837 bilhões para R$ 19,955 bi. Já para Ciência, Tecnologia e Inovação foi de R$ 3,784 bi para R$ 2,735 bi, uma queda de 27,71%. E para a Saúde houve redução de R$ 18,606 bi para R$ 16,348 bi (-12,13%). Somados, os recursos retirados somente da Saúde, Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação, representam R$ 5,18 bilhões.

Também foram alvos de ataques das tesouras do governo os ministérios do Meio Ambiente, Justiça e Segurança Pública, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Cidadania, Desenvolvimento Regional e Turismo”(ANDES-SN, 09/2020 – matéria completa em: https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/em-meio-a-pandemia-educacao-saude-e-ceT-perdem-recursos-no-pLOA-20211)

     Ao mesmo tempo que apresenta cortes nas áreas citadas acima, o governo Bolsonaro anuncia o aumento de 16,16% para as forças armadas, deixando explicita a displicência do governo com investimentos sociais.
     O governo Bolsonaro também anunciou cortes orçamentários na Educação para além da EC 95, como foi em 2019, com o corte de 34% no orçamento das instituições de ensino federais, e enfrentou como resposta a fúria da juventude nas ruas, através dos Tsunamis da Educação, que defendeu o ensino público, gratuito, laico e de qualidade para todos e todas, e encheu as ruas do Brasil como forma de resistência.
      Sabemos que a juventude e a classe trabalhadora docente são aguerridas nas lutas em defesa da educação, e em 2020 mesmo com as limitações da pandemia não deixaram de denunciar e expor os desmontes causados pelos governos inimigos da educação e dos trabalhadores.
        Também sabemos que é necessário pensar novas formas de enfrentamento e seguir denunciando os ataques que sofre toda comunidade escolar e acadêmica. Manter a população consciente e informada sobre as políticas do governo é fundamental para tentar barrar cortes e outros ataques.


(Imagem: ANDES-SN)

Entrevista da semana

            A SESUNIPAMPA conversou com o Professor no IFRS Campus Porto Alegre, André Rosa Martins, doutor em engenharia e ciência de alimentos, atual presidente do SINDOIF - Seção Sindical do ANDES-SN e militante da Unidade Classista. Confira a entrevista:

SESUNIPAMPA: Quais os principais desafios da luta da classe trabalhadora em tempos de pandemia?

André: “O principal desafio da classe trabalhadora neste cenário de avanço da extrema-direita, do fascismo e da xenofobia, e diante de uma pandemia com um impacto tão devastador como não se via há mais de 1 século, é buscar caminhos de reorganização efetiva da classe. O alto grau de fragmentação da classe trabalhadora no Brasil pavimentou, em grande medida, o avanço do golpe em 2016 e a incapacidade de enfrentar as políticas neoliberais e de retirada de direitos que se seguiram, como as reformas trabalhista e previdenciária, dentre outras. É fundamental que se construa um encontro da classe trabalhadora para construir e firmar a perspectiva de uma reorganização que possa ampliar a perspectiva classista para além dos sindicatos e centrais sindicais, com objetivo de consolidar pautas importantes para o enfrentamento da conjuntura e que venha apontar para uma ampla coalização que combata o fascismo.”

SESUNIPAMPA: Como as propostas de ensino remoto tem impactado os institutos federais? E qual a posição do SINDOIF a respeito?


André: “Assim como nas universidades, nos institutos federais a pauta do ensino remoto está na ordem do dia, como uma falsa resposta de trabalho das instituições de ensino à sociedade, no momento de avanço da pandemia. Infelizmente a maioria das instituições de ensino está cedendo às pressões de Bolsonaro para assumir a educação remota, que rebaixa a qualidade do ensino e é excludente em todas os locais onde está sendo aplicado. Esse movimento aponta, inclusive, para uma significativa redução do orçamento de investimento e custeio de universidades e institutos federais para 2021, com o governo federal apostando em uma proposta de consolidar o ensino remoto, ou um ensino híbrido, como a nova realidade pós-pandemia.”

SESUNIPAMPA: Como avalias a imposição de uma “nova normalidade que tem sido copautada pelo capitalismo?

André: “Há um risco efetivo de construção de um projeto de “escola remota”, no sentido da normalizar o ensino à distância como prática no pós-pandemia das universidades e institutos federais. Para o neoliberalismo seria um cenário perfeito, onde não teria necessidade de maior investimento em imobilizado e o custeio das instituições de ensino seria significativamente reduzido com o distanciamento entre uma parcela expressiva de estudantes e de trabalhadores em educação. O retorno presencial seguro no pós-pandemia será o grande desafio das instituições de ensino na construção de um ambiente que possa viabilizar a retomada de uma educação de qualidade, com o contra efetivo contra práticas excludentes como o ensino remoto.”

 

Fortaleça seu sindicato.
Filie-se!


Mais informações: sesunipampa.andes@gmail.com


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

SESUNIPAMPA vigilante na defesa dos diretos da categoria no dia a dia

 


Agindo no direito aposentadoria em situações de atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física!


            O STF decidiu tema que estava para julgamento acolhendo tese que vai beneficiar aqueles servidores que exercem atividades que prejudiquem a saúde e a integridade física do servidor, por exemplo aqueles que atuam em condições insalubres,

Na UNIPAMPA, temos diversos servidores neste tipo de situação (laboratórios, determinados trabalhos de campo e etc). Nesse sentido nossa assessoria jurídica já estpa estudando medidas e ações que permitam nossos docentes serem beneficiados e protegidos pelo referido entendimento.

Conheça agora os detalhes da nota sobre o julgamento do tema 942 no STF e a possibilidade de conversão do tempo especial em comum para servidores estatutários

 O que aconteceu?

           O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Virtual finalizada no dia 28 de agosto de 2020, encerrou a apreciação do Tema 942 da repercussão geral, que versava sobre a possibilidade de aplicação das regras do Regime Geral de Previdência Social para a averbação do tempo de serviço prestado em atividades exercidas sob condições especiais, nocivas à saúde ou à integridade física de servidor público, com conversão do tempo especial em comum, mediante contagem diferenciada.

 

                                                    Qual foi o resultado? (grifos nossos) 

Foi fixada a seguinte tese:

"Até a edição da Emenda Constitucional nº 103/2019, o direito à conversão, em tempo comum, do prestado sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física de servidor público decorre da previsão de adoção de requisitos e critérios diferenciados para a jubilação daquele enquadrado na hipótese prevista no então vigente inciso III do § 4º do art. 40 da Constituição da República, devendo ser aplicadas as normas do regime geral de previdência social relativas à aposentadoria especial contidas na Lei 8.213/1991 para viabilizar sua concretização enquanto não sobrevier lei complementar disciplinadora da matéria. Após a vigência da EC n.º 103/2019, o direito à conversão em tempo comum, do prestado sob condições especiais pelos servidores obedecerá à legislação complementar dos entes federados, nos termos da competência conferida pelo art. 40, § 4º-C, da Constituição da República".

                                                                        O que mudou?

 Até então, a jurisprudência reconhecia o direito à conversão do tempo trabalhado em condições especiais (em geral, situações que ensejam o pagamento de adicional de insalubridade e/ou periculosidade) no regime celetista.

Por exemplo, muitos servidores federais que eram celetistas antes da Lei nº 8.112/90 obtiveram referida conversão e, assim, majoraram o tempo de serviço para fins de aposentadoria.

Na decisão, foi reconhecida a possibilidade de aplicação do mesmo regramento legal do RGPS para a conversão do tempo laborado no Regime Próprio dos diferentes entes federados; ou seja, a possibilidade também de conversão em comum do tempo especial laborado já sob regime estatutário, até o advento da EC nº 103/2019.


                                               Resgate de um fundamental direito social!

 A decisão é de extrema importância e garante um direito social historicamente negado aos servidores públicos que trabalham em locais nocivos à saúde, viabilizando inclusive a aquisição do direito à aposentadoria para servidores que eventualmente não preencheram os requisitos anteriormente à (Contra) Reforma da Previdência (EC nº 103/2019).

O Coletivo Nacional de Advogados de Servidores Públicos (CNASP) atuou desde a chegada do recurso no Supremo Tribunal Federal na defesa dos interesses dos servidores públicos.

O que a SESUNIPAMPA pode fazer?

Os reflexos são múltiplos e demandam uma análise especializada e individualizada de cada servidor.

Ainda é necessário aguardar a publicação do acórdão para se avaliar a exata extensão do decidido.

A SESUNIPAMPA, junto com sua Assessoria Jurídica, está estudando a questão e oportunamente divulgará aos servidores todas as orientações que se fizerem necessárias a concretizar a extensão do direito a todos porventura beneficiados pela decisão.

Tire suas duvidas e vamos lutar por nenhum direito a menos!!!

 Dúvidas devem ser esclarecidas diretamente com nossa assessoria jurídica, feita em conjunto pelos escritórios

FONES: Paese, Ferreira & Advogados Associados (51) 3287.5200 e RCSM Advocacia (51) 3061.9892

WHATSAPP: (51) 9653-3170

MAILS: advogadosesunipampa@gmail.com ou contato@paeseferreira.com.br ou contato@rcsm.com.br

 


SESUNIPAMPA convoca categoria docente para assembleia geral virtual

 

GESTÃO 2018-2020

CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL VIRTUAL

           

          Vivemos um momento onde a crise sanitária continua ceifando vidas, oque leva as universidades a implantarem o ensino remoto de forma assodada e com possíveis perversos efeitos na comunidade acadêmica (exclusão, precarização) e de que o governo federal se demonstra cada vez mais indiferente e omisso, buscando ao invés de afirmar nítidas politicas anti-pandemia penalizar a classe trabalhadora através da proposta que ora tramita de reforma administrativa que busca desmontar o Estado Brasileiro. Neste sentido:

Considerando que o mandato da atual diretoria da SESUNIPAMPA esta perto de seu termino em um momento de ensino remoto e logo não presencial na universidade que dificulta o processo eleitoral presencial previsto regimentalmente em outubro.

Considerando a realização do 9º CONAD extraordinária que discutir a conjuntura, o plano de lutas e o processo eleitoral para direção nacional do ANDES-SN, nosso principal instrumento de lutas.

Considerando a necessidade de avaliarmos e nos prepararmos localmente para as lutas em defesa da categoria docente no momento que a universidade volta, remotamente as atividades de ensino e em tempos de construção de sua proposta orçamentaria.

Considerando que foi instituída a lei 14.010 de 2020 que permite a realização de assembleias virtuais deliberativas ate o dia 31 de outubro. E que nos viabiliza portanto em meio a pandemia em formato de exceção, podermos definir algumas questões fundamentais para a categoria e nossa luta:

A Seção Sindical dos Docentes da UNIPAMPA – SESUNIPAMPA - convoca a todas e todos para uma assembleia virtual:

Dia: 11 de setembro – sexta - feira
Horário: 1ª chamada - 9: 00 -  2ª chamada 9:15 (com qualquer quórum)
Local: on-line via googlemeet
Pauta:

1.      Conjuntura
2.      Prorrogação do mandato da diretoria SESUNIPAMPA
3.    Discussão sobre o processo eleitoral da nova diretoria do ANDES-SN e sua forma organizativa (presencial, remoto, híbrido ou outras formas possíveis) 
4.      Discussão das teses e eleição delegação 9º CONAD
5.      Pauta de lutas local
6.      Informes gerais

Como participar: a) Para inscrição e participação na assembleia online, docentes da UNIPAMPA devem enviar um e-mail manifestando o interesse para sesunipampa@gmail.com até a próxima quarta-feira, dia 09 até as 16h, b) O link do google meet será enviado para o e-mail de todos e todas que se inscreverem na assembleia geral nesse mesmo dia.

Saudações sindicais,

Cesar Beras

Presidente da SESUNIPAMPA

UNIPAMPA, 04 de Setembro de 2020

 

A imposição da nova normalidade e as lutas sociais

 

Em meio á pandemia do coronavírus, a SESUNIPAMPA pensa o conceito de “nova normalidade” e reflete sobre como ficam as lutas sociais em um momento de excepcionalidade e que exige novas formas de pensar a organização das categorias de trabalho.

        Enquanto o Brasil ultrapassa as 100 mil vidas perdidas devido a pandemia da COVID-19, se discute ferramentas e alternativas de mediar a situação pandêmica e manter em funcionamento serviços, instituições e demais espaços que exigem presença física.
        C
om as lutas sociais não foi diferente. Movimentos, sindicatos, seções sindicais, organizações políticas e todos que possuem construção coletiva em suas bases tiveram que pensar maneiras de manter diálogo, estudos, funcionamentos gerais e uma atuação ativa na sociedade. Como a principal ferramenta sempre foi a luta nas ruas, ter a mesma inviabilizada pela pandemia foi algo que tirou todos e todas das construções habituais e trouxe outra realidade. 
        Porém, atrelado a esta nova forma de pensar a comunicação, outras demandas emergem e se mostram prioritárias. Mais de 100 mil mortes, negligência por parte dos governos, pouca assistência social e diversos problemas apontados no auxílio emergencial que não atingiu todos os brasileiros e brasileiras em situação de vulnerabilidade social. A flexibilização da quarentena, expondo como suficiente apenas o uso da mascara para sair de casa resulta no avanço da pandemia e não temos nenhuma perspectiva de resolução da situação, tendo em vista que prefeitos, governadores e o governo federal demonstram displicência pela vida colocando a classe trabalhadora exposta da maneira mais cruel: tendo que trabalhar para não morrer de fome, tendo grandes chances de morrer pelo vírus.
         Em meio a todas as problemáticas, existe o pensamento de que é preciso pensar um “novo normal” e se adaptar as condições de vida existentes hoje. Se desconsidera a interação social, saúde psíquica e a conjuntura que o Brasil se encontra, para ser possível pensar um novo normal.

A crueldade por trás do “novo normal”.

    O novo normal pensa uma vida pós pandemia que ainda não existe e sequer apresenta uma possibilidade de ter fim. Sem ações efetivas dos governos e com a responsabilidade dos aumentos dos casos nas costas da população, quem acaba por sofrer de todas as formas possíveis com a situação é a classe trabalhadora. Enquanto é possível para alguns permanecer em casa e optar pelo tele-trabalho, existe outra parcela da classe trabalhadora (que é a maior e predominante) continua exposta aos perigos do vírus para manter uma pequena renda e subsistir. 
    Considerar as vidas perdidas também é considerar que outros ficaram, e consequentemente o sofrimento pelos que se foram passa a fazer parte de muitas famílias brasileiras, que não estão tendo seu direito ao luto devido o atropelo da necessidade de manter as atividades em funcionamento. 
    Pensar em seguir em frente quando diariamente perdemos nosso povo não é possível para os vulneráveis social, que possuem como prioridade obter renda para insumos e alimentos, ou para os que sofrem a perda de entes queridos. Não existe um passado, pois ele ainda é o presente para muitas famílias.
        Os profissionais da saúde que hoje são linha de frente no combate a pandemia da COVID-19 estão trabalhando arduamente para trabalhar com as demandas que surgem do SUS, que mesmo com suas limitações, provou ao mundo que ainda é o sistema mais eficaz em meio a pandemia. É preciso reivindicar também valorização e direitos trabalhistas para os profissionais de saúde, que hoje sofrem com o cenário do povo brasileiro e com a precarização de seu trabalho.

Entrevista da semana

            A SESUNIPAMPA conversou com o Antonio Gonçalves Filho, prof. no curso de medicina da Universidade Federal do Maranhão e presidente do ANDES-SN sobre os impactos da “nova normalidade” para a classe trabalhadora e as universidade federais.

SESUNIPAMPA: Como você percebe essa imposição de uma nova normalidade nesse contexto de pandemia? Qual o impacto disso na vida da classe trabalhadora?

 Antonio: “Avalio que mesmo no contexto da pandemia, quando o papel do Estado nacional se mostra relevante para a superação da maior crise sanitária dos últimos cem anos, o projeto neoliberal de educação arrefeceu. A tentativa de ampliar o percentual de conteúdos ministrados remotamente em cursos presenciais vem de antes da pandemia, como estabeleceu a Portaria 2.117 do MEC em dezembro de 2019, mas é durante a pandemia que surgiu a oportunidade de impor a modalidade de ensino remoto.

 O impacto imediato é a exclusão de parcela significativa de estudantes e trabalhadores em educação do processo de ensino-aprendizagem, com perda da qualidade. Muitos estudantes não dispõem de acesso à internet nem de dispositivos que permitam esse acesso. Há de se considerar que muitos docentes não têm treinamento para lidar com a modalidade de ensino remoto e precisariam ser capacitados para essa tarefa.

 Por isso, considero indispensável um diagnóstico abrangente das reais condições de acesso e preparo de estudantes, docentes e técnico-administrativos, com amplo debate com a comunidade. Há de se pesquisar sobre as condições de vida dos estudantes indígenas, ribeirinhos, da periferia e com deficiência para que se possa incluí-los nas soluções a serem construídas, compreendendo que a situação é excepcionalíssima e que na eventualidade de se decidir pelo ensino remoto, e aqui cabe diferenciá-lo da educação a distância, esse deve ser temporário, inclusivo, respeitando o direito de imagem de professores. 

 O ensino remoto não deve servir para acelerar a formação profissional, com estágio à distância, feito sem qualidade. A quem interessa esse aligeiramento? Nosso compromisso deve ser garantir o tripé ensino-pesquisa e extensão na educação superior, com qualidade socialmente referenciada.”

 SESUNIPAMPA: O uso da mediação tecnológica nas atividades de ensino, o uso do ensino remoto pode ser considerada um risco para a educação de qualidade no pós pandemia?

 Antonio: “Tenho convicção que sim. O custo do ensino remoto é muito inferior ao do presencial e garante o lucro de muitas instituições privadas de ensino, porém a qualidade é baixa e as interações sociais precárias.

     Em um cenário de escassez de recursos, agravado pela aprovação da Emenda Constitucional 95/2016 e o anúncio pelo governo federal de um corte orçamentário de 18,2% para as IES públicas em 2021, soluções de baixo custo, mesmo que de baixa qualidade, podem ser apontadas como solução por aqueles que não têm compromisso com a educação pública de qualidade.

     O esforço deveria ser em colocar os avanços tecnológicos a favor de um projeto de educação pública de qualidade, inclusiva e não a serviço do lucro.” 

SESUNIPAMPA: Como as lutas sociais podem ser potencializadas no enfrentamento a necropolítica do Governo Federal e ao combate a pandemia?

 


Antonio: “A pandemia trouxe uma dificuldade adicional no processo de reorganização da classe trabalhadora, tão necessária para fazer frente ao avanço do projeto do capital de reconfiguração do Estado e no enfrentamento aos retrocessos civilizatórios do governo federal de extrema-direita, com traços protofascistas, que adota uma política genocida de enfrentamento à pandemia. 

Em março, vínhamos em um processo de construção de greve nacional da educação e chegamos a constituir um comando nacional de mobilização e greve que foi interrompido com o avanço da pandemia. Há de se considerar que parcela significativa da classe trabalhadora não tem conseguido manter o isolamento social e continua exposta a transportes públicos superlotados, a precárias condições de trabalho, ao desemprego e à informalidade, na busca pela subsistência. Potencializar as lutas sociais nesse contexto, portanto, é muito difícil sob pena de por ainda mais em risco a vida de trabalhadores e trabalhadoras. 

O ANDES-SN tem feito um grande esforço de, respeitando o necessário isolamento social, manter a mobilização para a retomada das ruas e o trabalho de base presencial assim que for possível, mas nossa prioridade é salvar vidas. Várias ações de solidariedade de classe foram feitas ao longo desse último período. Entendemos que não é possível nesse momento convocarmos atos massivos de rua, mas temos apoiado aqueles que têm sido convocados por algumas categorias, do mesmo modo apoiamos as greves que têm ocorrido, algumas com caráter sanitário.

 Ampliamos nossa comunicação virtual, estabelecemos um calendário de debates virtuais que inclui LIVE, reunião conjunta dos setores, CONAD extraordinário, reunião de Grupos de Trabalho e atos simbólicos de rua, juntamente com a CSP-Conlutas e o Fórum Sindical, Popular e de Juventudes.

 No âmbito dos servidores públicos federais, o FONASEFE tem se reunido e realizou recentemente um seminário nacional que tratou dos ataques aos serviços e servidores públicos. Esses são alguns exemplos do esforço que o ANDES-SN tem feito para potencializar as lutas sociais em tempos de pandemia e esperamos em breve mudar a correlação de forças para derrotar o governo Bolsonaro/Mourão e suas políticas que atacam a vida humana, o meio-ambiente, retiram direitos e liberdades democráticas.”

 

Fortaleça seu sindicato.
Filie-se!

Mais informações: sesunipampa.andes@gmail.com

 

 

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ANDES-SN emite nota de repúdio à Portaria do Ministério da Saúde

Confira a Nota da Diretoria Nacional do ANDES-SN de repúdio à Portaria do Ministério da Saúde e aos ataques as pessoas e entidades que pedem sua revogação.