segunda-feira, 7 de março de 2016

Convite Assembleia Docente 17/03


Caros/as colegas docentes,

Convidamos a todos/as para assembleia geral no dia 17/03, às 17h00, que será realizada via vídeo-conferência (Sala RNP 0660), com a seguinte pauta:

  1. Informes
  2. Pauta de reivindicações dos Docentes a ser protocolada na Reitoria
  3. Eleições
  4. Encontro Nacional da Educação
  5. Assessoria Jurídica
  6. Encaminhamentos 

Qualquer dúvida, favor entrar em contato com o email da Seção Sindical.
Saudações sindicais,

Diretoria SESUNIPAMPA

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Governo federal bloqueia despesas e corta gastos sociais












O governo federal bloqueou parte das despesas do Orçamento Geral da União de 2016 até o mês de março. O decreto de programação orçamentária e financeira foi publicado na última sexta-feira (12), em edição extraordinária do "Diário Oficial da União". O contingenciamento, no entanto, não se aplicará ao pagamento dos juros, encargos e amortização da dívida pública, que anualmente consome quase metade do Orçamento. Em 2015, a dívida brasileira consumiu cerca de R$ 1 trilhão.




Para os três primeiros meses do ano, o governo limitou os gastos dos ministérios e secretarias especiais com despesas discricionárias (não obrigatórias) a 1/18 avos por mês. Desta forma, as despesas ficam limitadas a R$ 146,6 bilhões, dos quais R$ 124,5 bilhões (cerca de 85%)  são despesas não contingenciáveis, entre elas as das áreas de saúde e educação.




Segundo Rodrigo Ávila, coordenador da Auditoria Cidadã da Dívida, os ministérios já sofrem com os parcos recursos destinados, como é o caso do Ministério da Educação, ao qual neste ano foram reservados R$ 100 bilhões, ao passo que para a dívida pública estão previstos gastos em mais de R$ 1,348 trilhão montante 13 vezes maior que o valor gasto com a Educação.




“Enquanto os gastos sociais são liberados a conta-gotas, tendo de obedecer aos decretos de contingenciamento, os gastos com a dívida são feitos à vontade. O Ministério da Educação e os demais órgãos terão de obedecer ao limite de 3/18 avos até março, ou seja, 16,7% da previsão de gastos para o ano, quando o mais lógico seria gastar, no mínimo, 25%, correspondendo a um quarto do ano”, explica Ávila. Ele alerta que os gastos com a dívida pública, até um dia antes de ser publicado o decreto (11), ultrapassavam o valor de R$ 225 bilhões, ou seja, os mesmos 16,7%, porém, em um período menor.




Segundo informações da Agência Brasil, a limitação ficará valendo até que a presidenta Dilma Rousseff anuncie, no mês de março, o total do contingenciamento do Orçamento de 2016 durante todo o ano. O anúncio coincidirá com a divulgação de novas medidas para equilibrar as contas públicas. Em janeiro deste ano, o governo já havia editado decreto limitando em 1/12 as movimentações e empenhos de despesas discricionárias. Esta tem sido uma prática comum do governo para atingir metas de ajuste fiscal, sob o pretexto de adequar a execução da despesa ao fluxo de caixa do Tesouro.




“Por trás da complexidade dos decretos de programação orçamentária, está a opção política do governo de priorizar o pagamento da dívida pública e sequer admitir uma auditoria sobre este gasto, conforme definiu a presidente Dilma Rousseff em janeiro, quando escandalosamente vetou a auditoria da dívida pública com participação social, aprovada pelo Congresso Nacional”, disse o coordenador da Auditoria Cidadã da Dívida. 

(Veja aqui)





*Com informações e imagem de Agência Brasil







Fonte: ANDES-SN

CARTA DE CURITIBA

CARTA DE CURITIBA


Na semana de 25 a 30 de janeiro de 2016, reuniram-se em Curitiba, no 35o CONGRESSO DO ANDES-SN, docentes de 74 seções sindicais, com 356 delegados, 74 observadores e 33 diretores e 6 convidados de seções sindicais, cujas homologações foram aprovadas no Congresso. 
Em tempos de intensificação dos ataques aos direitos dos trabalhadores, expressa na proliferação de medidas dos poderes legislativo, executivo e judiciário, os presentes debateram e aprovaram um conjunto de ações de enfrentamento à contrarreforma do Estado. 
Diante de um aprofundamento cada vez maior da privatização e da mercantilização do ensino, da pesquisa e da extensão, dos serviços sociais em geral, bem como do ataque aos direitos sociais e trabalhistas, os participantes do 35º CONGRESSO deliberam, como centralidade da luta, a “Defesa do caráter público, laico, democrático, gratuito e de qualidade da educação, da valorização do trabalho docente, dos serviços públicos e do direito dos trabalhadores, com intensificação do trabalho de base e fortalecimento da unidade classista com o movimento sindical, estudantil e popular, na construção do projeto da classe trabalhadora”. 
Inspirados nessa perspectiva geral para o enfrentamento que teremos em 2016, dentre as muitas deliberações tomadas pelos delegados do 35º CONGRESSO DO ANDES-SN, destacamos: 
A luta pela revogação da Lei nº 13.243/2016 que criou o Código Nacional de C&T e Inovação, por considerá-la uma medida emblemática no campo educacional da submissão da produção do conhecimento ao interesse do mercado, aprofundando a apropriação, pelo capital, do fundo público e do patrimônio científico e tecnológico produzidos nas IES e Institutos públicos de pesquisas. Deliberamos lutar contra o PL que propõe a transferência do ensino superior para o MC&T e o PL que cria o Fundo Patrimonial das IFES, bem como contra a assinatura pelo governo brasileiro do Trade in Services Agreement (TISA). 
Aprovamos lutar contra o PL que propõe a criação do Programa Escola Sem Partido e que expressa a imperiosa necessidade do controle ideológico do conteúdo do trabalho docente para garantir a exploração, a dominação e a opressão constituintes do modo de produção capitalista. 
Ainda no âmbito da política educacional, aprovamos a luta contra a PEC 10/2014 que cria Sistema Único de Educação. E também nos posicionamos contra a Resolução 02/2015 CNE/CPNn (que trata das diretrizes dos cursos de formação de professores) e contra a Proposta de Base Nacional Curricular Comum apresentada pelo Ministério da Educação (MEC). 
Reafirmamos a articulação e o fortalecimento dos Comitês Estaduais para a realização dos encontros preparatórios do II ENE, com organização de caravanas dos diversos segmentos envolvidos para participarem do II Encontro Nacional, a ser realizado de 16 a 19/06/2016, em Brasília.
As ações afirmativas foram objeto de debate, com base na constatação de que é necessário reivindicarmos e lutarmos pela ampliação da política de cotas, vinculada à garantia da permanência estudantil, incluindo os cursos de pós-graduação. 
Posicionamo-nos, ainda, contra o Código de Mineração, o Código Florestal, o Marco da Biodiversidade e a PEC 215/2000, que trata da demarcação das terras indígenas. Deliberamos contra a política de transgenia e de agrotóxico no setor. Ao mesmo tempo, aprovamos continuar na luta pela Reforma Agrária Popular, pela soberania alimentar, também, participar das lutas de resistência contra os impactos socioambientais decorrentes de obras dos megaeventos. 
Reafirmamos, no debate sobre a Seguridade Social, a defesa da Previdência Pública estatal nas três esferas, sob o regime de repartição e com direito à aposentadoria integral e contra a privatização da previdência, lutando, desde já, contra a nova reforma anunciada e pela aprovação da PEC 555/2006, pela criação de um Fórum em defesa da Previdência Pública, contra o FUNPRESP e fundos similares nos estados e municípios; Contra a privatização da Saúde, revogação da lei que criou a EBSERH e OS. Decidimos pela realização do VI Encontro Nacional de Saúde do Trabalhador Docente e pela participação no II Encontro Nacional de Saúde do Trabalhador da CSP-Conlutas. 
Deliberamos, em relação à Comissão da Verdade, pela Revisão da lei da Anistia, pela abertura irrestrita dos arquivos, com punição dos que cometeram atos criminosos. Também aprovamos que vamos lutar para varrer o entulho da Ditadura dos Estatutos e das relações e práticas nas Instituições de Ensino Superior, e que as seções sindicais realizarão levantamento sobre a situação dos docentes que foram vítimas da ditadura. Entendemos que é necessário ainda acompanhar e denunciar no contexto atual a situação de perseguição e de extermínio de negros, de índios e de ciganos. 
Em relação à política sindical, numa conjuntura de intensa exploração do trabalho, o 35º Congresso do ANDES-SN reafirmou a luta contra as terceirizações, defendendo o concurso público para o ingresso no serviço público. Lutar contra o Programa de Proteção ao Emprego que retira direitos dos trabalhadores para proteger os interesses dos empresários. Lutar contra o projeto de lei antiterrorista que criminaliza os movimentos sociais. Lutar contra alterações, nos regimes jurídicos, que buscam a intensificação do trabalho por meio do sistema de escritório remoto (home-office) no serviço público, a exemplo do PLC 2723/2015. 
Aprovamos realizar, no primeiro semestre de 2016, o seminário nacional para debater a questão da precarização do trabalho docente nas IE e também a campanha de filiação com ênfase no novo perfil docente com vínculos precarizados, bem como intensificar a participação do ANDES-SN nos espaços de construção das mobilizações com os setores classistas e populares, em 2016, em particular: o Espaço de Unidade e de ação e os Fóruns de Servidores Públicos, em âmbito nacional e nos Estados. 
Aprovamos realizar, ainda nesse tema, o Curso Nacional de Formação política e sindical do ANDES-SN, com a realização de Encontros de Formação Política (em diferentes Secretarias Regionais) e continuar promovendo atividades como encontros e seminários (locais, regionais e nacionais) sobre as formas de organização sindical dos docentes no contexto da multicampia, intensificando a discussão no GTPFS, com base nos debates ocorridos nos setores, nas regionais e no seminário sobre questões organizativas do ANDES-SN. Nesse sentido, foi aprovado promover seminário nacional sobre multicampia no interior do Paraná, organizado pela SINDUTFPR e ADUNICENTRO. 
Aprovamos, com relação à política de comunicação e arte, o fortalecimento e a intensificação da produção artístico cultural nas ações políticas do sindicato, no sentido de sensibilizar e de promover as lutas do cotidiano. Assim, por meio de suas seções sindicais, se estabeleça diálogo com mestres, artífices, artistas e produtores culturais locais, como forma de ampliar o conteúdo classista da produção artística e cultural geral. Aprovamos também que o ANDES-SN, por meio do GTCA e com a efetiva participação das Seções Sindicais, promova a discussão sobre as políticas de radiofusão gratuita no Brasil, numa perspectiva crítica e classista, envolvendo, dentro do possível, profissionais da área, cuja atuação e produção intelectual esteja sintonizada com essa perspectiva. 
Decidimos promover o Encontro Nacional de Comunicação e Artes do ANDES-SN, em 2016, com uma programação que possibilite a participação de profissionais de outras entidades sindicais, e também de militantes em prol da democratização da comunicação, de maneira a se tornar um evento que constitua a agenda sobre a temática. 
Deliberamos por continuar lutando pela “Reforma tributária Progressiva”, com taxação do capital, da renda e das grandes fortunas, e lutar contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, pelo fim da Desvinculação da Receita da União e da Desvinculação da Receita nos Estados e DF. 
Percebemos que, no debate do plano de luta dos setores, tornou-se muito evidente a semelhança dos ataques ao caráter público das IES, por meio de cortes no orçamento, desestruturação da carreira, do recrudescimento do autoritarismo, das terceirizações e da precarização do trabalho docente. 
No plano de lutas do Setor das Estaduais e das Municipais (IEES/IMES), forma definidos como eixos de ação para o próximo período, a luta por aumento de verbas públicas para custeio e investimento das IES, contra os cortes orçamentários realizados pelos governos que, inclusive, comprometem o pagamento de salários e de direitos trabalhistas e que aprofundam a precarização das condições de trabalho e estudo. Reafirmou a defesa da democracia e da autonomia das IES e a luta contra a precarização das condições de vida e trabalho ocasionada pela multicampia, defendendo a não fragmentação geográfica do local de trabalho, a contratação de docentes e de servidores técnicos e administrativos por meio de concurso público, a política de moradia e de transporte e a política de acesso e permanência estudantil. Os delegados se posicionaram, ainda, sobre a expansão e interiorização das IES, defendendo que sejam realizadas como parte de um projeto de universidade pública, laica, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, com base em diagnóstico das necessidades locais e de modo que assegurem a indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Aprovamos, em relação ao plano de luta do Setor da IFES, a Pauta Unificada com os SPF – recuperando a pauta de 2015 com atualizações, destacando a necessidade de fortalecer a Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais para a conquista de nossas reivindicações. Em relação à pauta do setor das IFES, deliberamos pela unificação de ações com movimento dos TAE, o Estudantil, os terceirizados, pela defesa do caráter público, da autonomia e democracia, por condições de trabalho e carreira. Reafirmamos a luta contra aPrivatização, Terceirização, Precarização do trabalho, por meio das Organizações Sociais, da EBSERH e do FUNPRESP. Exigiremos do MEC uma negociação efetiva de nossa pauta. Aprovamos uma Agenda de lutas do Setor organizada em eixos a ser desenvolvida da seguinte forma: em fevereiro, realizaremos ações na defesa do caráter público das IFES e contra o FUNPRESP; em março, realizaremos ações em relação ao orçamento das IFES e contra as OS; em abril, realizaremos ações em relação à Carreira Docente; e em maio, ações relacionadas às questões da Autonomia/Democracia. 
O Sindicato Nacional segue sendo reconhecido pelos docentes das IES que, em instituições de ensino, nas quais não havia organização sindical docente, deflagraram a greve e o processo de organização sindical, culminando na homologação de novas seções sindicais. O processo de interiorização e a multicampia, presentes nas IES públicas, desafiou nossas formas organizativas e gerou processos de mudanças regimentais de algumas seções sindicais que, sem abdicar da concepção sindical do ANDES-SN, responderam à demanda por reorganização presente na base do sindicato. 
Nos seus 35 anos, o ANDES-SN demonstra o seu vigor expresso na homologação de seis novas seções sindicais dos Docentes da Universidade Federal do Oeste da Bahia, ADUFOBSind; dos Docentes em Educação a Distância do Rio de Janeiro (ADOPEAD/RJ); Docentes do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (SINDIFSULDEMINAS); Docentes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (SINDUNILAB); Docentes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Seção Sindical do ANDES-SN (SESUNILA); Docentes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (ADUFVJM). Aprovamos a Prestação de Contas do 60º CONAD. Em relação ao Fundo Único – Fundo Nacional de Solidariedade, Mobilização e Greve do ANDESSN – deliberamos por aperfeiçoar os critérios de acesso e distribuição e por deliberar sobre isso no 61º CONAD. Ainda nesse tema, foi aprovado o local em que irá ser sediado o 36º CONGRESSO do ANDES-Sindicato Nacional na cidade de Cuiabá, proposto pela Seção Sindical da Universidade Federal de Mato Grosso. 
Nesse 35º Congresso, aprovamos o Regimento Eleitoral para a eleição da diretoria para o biênio 2016-2018 Congresso No prazo estabelecido para a inscrição, inscreveu-se uma única Chapa - Unidade na Luta - que será submetida, em maio, ao sufrágio dos docentes. 
No ano em que comemora seu trigésimo quinto aniversário, o ANDES-SN mostra pleno vigor, ao encerrar seu 35º Congresso apontando o horizonte da transformação estrutural da sociedade brasileira e iluminando trilhas para as lutas cotidianas em defesa das bandeiras do trabalho, dentre elas a universidade pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade socialmente referenciada. Expressão de vitalidade é, também, a alegria do encontro na plenária final, realizada nas primeiras horas do dia 31 de janeiro de 2016, congregando militantes que estiveram na fundação do sindicato e as jovens gerações de docentes que abraçam a luta social como parte de suas vidas. 

Curitiba, 30 de janeiro de 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Mudanças impostas pelo Código de C&T fragilizam regime de Dedicação Exclusiva





Mudanças impostas pelo Código de C&T fragilizam regime de Dedicação Exclusiva





Alterações colocam docentes pesquisadores de instituições públicas a serviço do setor privado




O Código de Ciência, Tecnologia e Inovação, sancionado pela presidente Dilma Rousseff na última segunda-feira (11) por meio da lei 13.243/2016, além de aumentar as vias de privatização da educação pública, também flexibiliza o regime de Dedicação Exclusiva (DE) do magistério federal. O código modifica a lei 12.772/2012, que regula a carreira docente, possibilitando que empresas privadas paguem, por meio de fundações de apoio, bolsas a docentes. Outra mudança é o aumento da carga horária máxima destinada à pesquisa, extensão e inovação, que passa de 120h/ano para 416h/ano.



Giovanni Frizzo, 1º vice-presidente da Regional Rio Grande do Sul e um dos coordenadores do Setor das Instituições Federais de Ensino (Setor das Ifes) do ANDES-SN, critica o código e alerta a categoria sobre os problemas que ele pode trazer ao regime de DE. Para o docente, há dois pontos centrais nas modificações feitas pelo código na lei 12.772/2012. O primeiro é que os docentes podem receber bolsas por fora do previsto na carreira.



“A inclusão das fundações de apoio entre aqueles que podem pagar as bolsas cria um mecanismo com o qual as empresas pagarão bolsas aos docentes de forma indireta, utilizando a fundação de apoio como intermediadora. Ou seja, os docentes podem receber bolsas, para elaborar suas pesquisas, indiretamente das empresas privadas que estabelecerem convênios com as instituições de ensino via fundações. Boa parte da remuneração dos docentes, com a mudança da lei, pode ser paga por empresas privadas através dessas bolsas. A remuneração dos docentes, então, não será oriunda apenas do fundo público”, afirma Frizzo.



O segundo ponto é a alteração na carga horária máxima para atividades de pesquisa, extensão e inovação. “A mudança significa que o professor pode dispor de até oito horas semanais de sua jornada de trabalho para desenvolver suas atividades de pesquisa para a iniciativa privada. Ou seja, uma parte da jornada será destinada à produção de conhecimento para o setor privado”, completa o diretor do ANDES-SN.



A lei 13.243/2016 ainda modifica a 12.772/2012 em outro ponto. A partir de agora, as fundações de ditas de apoio e as Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) poderão remunerar seus dirigentes, inclusive os com contrato de trabalho em regime de DE, desde que a remuneração bruta seja inferior a 70% do limite salarial para servidores públicos do poder executivo.



Influência do setor privado



Epitácio Macário, 2º vice-presidente do ANDES-SN e coordenador do Grupo de Trabalho em Ciência e Tecnologia do Sindicato Nacional, ressalta que a lei 13.243/2016 aumenta a influência da iniciativa privada sobre o público, abrindo radicalmente, e sem precedentes, a universidade pública à privatização.



“Responder às demandas do mercado passa a ser a função do professor pesquisador. Isto só pode ter um impacto negativo para a universidade. O fazer universitário passa a ser produto, o que é uma privatização muito mais profunda do que simplesmente você colocar um produto à venda no mercado”, avalia Macário.



Giovanni Frizzo também cita a proposta de mudança na carreira que o governo encaminhou ao ANDES-SN, no final de 2015, e rejeitada pelo Sindicato Nacional após decisão de assembleias gerais. A proposta prevê que a remuneração dos docentes federais será estabelecida a partir do regime de 20h, com aumento de 40% no vencimento base (VB) para o regime de 40h e de 100% para o regime de dedicação exclusiva. O ANDES-SN reivindica que o VB do regime de 40h seja o dobro (100%) da remuneração do regime de 20h e que o vencimento para Dedicação Exclusiva seja 210% maior que a remuneração para 20h.



“Com esta proposta, o governo quer, portanto, que o regime de dedicação exclusiva receba apenas o dobro do regime de 20h, o que torna o regime de DE pouco atrativo para os docentes, já que a remuneração corresponderia ao regime de 40h, o qual não limita o vínculo de trabalho do docente apenas a uma instituição”, diz Frizzo. Para o diretor do ANDES-SN, as mudanças trazidas pelo Código de Ciência e Tecnologia, somadas a essa proposta do governo, flexibilizam o regime de DE.



“A Dedicação Exclusiva fica seriamente comprometida. Assim como a carreira de maneira geral, já que fica mais facilitada a contratação via Organizações Sociais, que passarão a fazer contratos com os professores ou de prestação de serviço ou pela CLT. Anuncia-se o fim da carreira docente como a conhecemos”, completa Epitácio Macário, 2º vice-presidente do ANDES-SN.



Fonte: ANDES-SN

Informativo nº 3 / 2015









quarta-feira, 15 de julho de 2015

Informativo número 2 - 2015


GESTÃO 2014-2016
INFORMATIVO Nº 2 – 2015

Relato da assembleia docente do dia 07 de julho
Na última terça feira, dia 07 de julho, realizou-se assembleia docente via videoconferência, chamada pela SESUNIPAMPA. Como ponto principal, estava a deliberação sobre se os docentes da UNIPAMPA iriam ou não aderir ao movimento de greve docente que ocorre nacionalmente. Estiveram presentes professores dos campi Bagé, Dom Pedrito, Jaguarão, São Borja e São Gabriel. Depois de informes sobre o andamento da luta dos docentes em greve, a maioria dos docentes reunidos votou por não aderir à greve, ainda que não tenha havido nenhuma fala explicitando os motivos de porque não aderir ao movimento. No entanto, os docentes decidiram também por declarar-se publicamente em estado de mobilização permanente. A diretoria da SESUNIPAMPA reforça a necessidade de se continuar o debate sobre as formas de concretizar este estado de mobilização permanente.

Relato do XII Encontro da Regional-RS do ANDES-SN

Nos últimos dias 10 e 11 de julho (2015) a Regional-RS da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES-SN) reuniu, em sua sede em Pelotas, membros das seções sindicais de cinco universidades do estado do Rio Grande do Sul para a realização do seu XII Encontro Regional: Conjuntura e estratégias de mobilização docente. Aproximadamente 30 participantes docentes da UNIPAMPA, UFSM, UFRGS, FURG e UFPel apresentaram e debateram, durante os dois dias do evento, questões relacionadas à condição não apenas da história atual e recente da universidade brasileira, mas também a respeito da evolução histórica da universidade no Brasil e no contexto mundial, em especial na América Latina. Como convidados especiais, o evento contou com a participação, na mesa de abertura, do Presidente Nacional do ANDES, Paulo Rizzo (UFSC). O evento contou ainda com a participação de representantes da diretoria da Regional-RS, entre eles o professor Carlos Schmidt, que tratou da conjuntura econômica atual e seus reflexos na universidade brasileira.
Durante o evento, mesas redondas seguidas de debates expuseram a pauta de mobilização do movimento de reivindicação que se encontra em curso no atual momento em todo o Brasil e que tem a condição da universidade pública brasileira e a carreira docente como temas centrais. O movimento de greve nas IES foi colocado em perspectiva e avaliado pelos participantes, tendo como foco de debate a atual percepção da precarização da universidade e as formas de atuação política efetivas na transformação do contexto atual.
A conclusão do evento foi marcada pela avaliação das discussões em que se ressaltou a importância da contraposição de formas de percepção do que significa, no contexto nacional e internacional, construir e conduzir uma universidade pública de qualidade e os modos de atuação para se alcançar a superação da atual condição de subalternidade que a cultura universitária brasileira tenta irracionalmente mascarar no seu funcionamento e na percepção de si mesma.
Encaminhamentos/informativos:
a)      A Seção Regional RS deverá promover cursos de formação sindical para os docentes;
b)      Promover um debate sobre a dívida pública, em parceria com a Auditoria Cidadã;
c)      As seções sindicais deverão contribuir para o Fundo da Greve nacional;
d)      A participação na Marcha dos servidores federais à Brasília será dia 22 de julho e deverá ocorrer o rateio de despesas entre os sindicalizados por categoria;
e)      Os encontros regionais de educação deverão ser promovidos no próximo semestre, em vista do Encontro Nacional que ocorrerá em 2016;
f)       Ocorrerá um ato público entre os servidores federais na primeira semana de agosto;
g)      O próximo encontro da regional (XIII) deverá ocorrer na seção sindical da UFSM (SEDUFSM)

SESUNIPAMPA dispõe de serviço de Assessoria Jurídica para sindicalizados
A SESUNIPAMPA conta com o serviço de Assessoria Jurídica, disponibilizada pela Regional Rio Grande do Sul às seções sindicais que não a possuem - no caso, a nossa e a Seção Sindical do ANDES na UFRGS. Qualquer sindicalizado que quiser fazer uso da mesma deve entrar em contato com a SESUNIPAMPA (sesunipampa.andes@gmail.com) para encaminhamento posterior. Estamos neste momento vendo a possibilidade de usar a Assessoria Jurídica para montar o processo de pedido da penosidade. Sobre este assunto, aguardem notícias em breve.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sobre fantasmas e professores!

Sobre fantasmas e professores!

Rafael Cabral Cruz


   "É muito mais difícil matar um fantasma do que uma realidade" (Virgínia Woolf). Assim a autora descreve as dificuldades de lutar contra o "Anjo do Lar", estereótipo de papel da mulher vitoriana introjetado no seu inconsciente pela cultura dominante. Poderia perguntar, neste contexto, quais seriam os fantasmas que assombram nossa capacidade de construir um mundo melhor, de construir uma universidade que realmente construa cidadania?
   O primeiro fantasma é o senso comum. Este senso comum que coloca que somos servidores públicos que devem seguir as ordens superiores, na cadeia de comando que vai do MEC até a nossa sala de aula ou nosso laboratório. Este senso comum que, repleto de reuniões, cria uma sensação de democracia, de participação, mas que na prática, somente existe para confirmar e justificar o senso comum, cuja função, como de todos os aparelhos idológicos do estado, é reproduzir a cultura dominante neoliberal. As questões mais importantes são decididas fora do âmbito das reuniões que consomem boa parte das horas disponíveis dos docentes. Deste modo, vai se criando uma cultura de usar destes instrumentos - as instâncias colegiadas e dos processos eleitorais, que deveriam ser fóruns democráticos -, como mero local de tomada de decisões. Como as decisões fundamentais não são tomadas no contexto da autonomia, estas tomadas de decisões acabam por ser o local onde as relações de solidariedade entre indivíduos, baseada na troca de favores e proteção mútua, denominada pelo antropólogo Eric Wolf como amizade de panelinha, acabam por estabelecer um jogo político de cartas marcadas. É um jogo político marcado pela disputa pelos recursos escassos institucionais, pelas migalhas que sobram do banquete efetuado pelos verdadeiros tomadores de decisão, que sentam em Brasília com os lobbies políticos e financeiros e que decidem quanto será concedido para cada instituição. Como estes grupos atuam como meros instrumentos de sobrevivência em meio à escassez, não se constroem como instrumentos de transformação da realidade: pelo contrário, a reforçam e a reproduzem, defendendo os seus critérios produtivistas nas instâncias pertinentes, especialmente quando estes fortalecem suas posições na disputa pelos mesmos recursos escassos.
   O segundo fantasma, que é consequência do primeiro, é o fantasma da falta de transparência. Este é o pior fantasma, porque ele se manifesta de uma forma que solapa as bases da construção de qualquer democracia: a ausência de debate. Como as assembleias são vistas como mero local de disputas de panelinhas e como instâncias de tomada de decisões, grande parte dos docentes, que deveriam ser instrumentos críticos da sociedade, exemplos para os alunos de consciência crítica e, portanto, seres humanos participando do jogo democrático, acabam comparecendo nas reuniões somente para defenderem seus interesses: ou seja, vão, votam de acordo com o seu grupo de interesse e não se manifestam. Acabam se transformando em fantasmas dentro do jogo político. Sim, porque não se expõem. Não defendem publicamente suas ideias, seus argumentos. É perigoso manifestar publicamente suas ideias, pois pode haver julgamento e exclusão do grupo que se define pelas alianças das amizades de panelinha. Basta comparecer, votar e demonstrar para os líderes do grupo sua fidelidade. Assim, o fantasma vota em grupo, mas o grupo opta por não participar do embate democrático. É pressuposto da democracia que as pessoas possam optar, entre as alternativas, de forma racional, ou seja, através do confronto de ideias e argumentos. Um democrata verdadeiro defende suas posições como deve fazer um verdadeiro cientista: sempre sabendo que sua verdade é relativa e que pode ser mudada por argumentos consistentes, sólidos, bem fundamentados. Portanto, um democrata é um ser mutante, capaz de ser convencido! No entanto, quando os grupos não expõem seus argumentos e não defendem suas ideias, a racionalidade da democracia, baseada no embate dos argumentos, no pressuposto de que as pessoas podem mudar de ideia quando avaliam os argumentos dos outros, deixa de existir, e no local desta racionalidade se coloca um espírito de corpo do grupo, que assume vitórias ou derrotas em votações de modo passional e subjetivo. Solapa-se o fundamento da democracia, pois esta não se manifesta unicamente na decisão tomada, na votação, mas acima de tudo, no processo de embate entre as ideias, na capacidade de convencimento e na admissão da mudança de posição diante de argumentos mais fortes. Se o processo não é democrático, a eleição também não é. Este fantasma, que reproduz a cultura dominante mais que qualquer outro, é o pior para ser matado, no sentido de Virginia Wolf. Ele, não apresentando seus argumentos, não se expõem, não oferece oportunidade para o debate, não almeja convencer seu oponente no campo dos argumentos, pois este é visto como um inimigo a ser derrotado, não como um colega no mesmo campo de construção da democracia na universidade. O seu único e verdadeiro compromisso não é com os objetivos de construir uma educação de qualidade, gratuita, que desenvolve um perfil de egressos baseado na construção da cidadania, da democracia e do desenvolvimento sustentável da nossa região, como consta nos nossos documentos que estabelecem, no papel, o que desejamos, mas com os objetivos de seu grupo de interesses. E assim, o exemplo que dão para os estudantes é de passividade frente à realidade: para que lutar por algo melhor? Melhor seria se juntarem para defenderem seus interesses e jogar de acordo com as regras estabelecidas pelos senhores do mundo! A lição que se dá para os estudantes é de como se constroem lobbies para defenderem seus interesses. Deste modo, este fantasma vai destruindo as bases que deveriam ser construídas pelo debate franco e respeitoso, bases estas que permitiriam que a universidade permitisse o florescimento de uma consciência crítica que permita, de fato, a construção de uma cultura democrática na instituição, que se oponha a esta cultura autocrática, reproduzida pelos grupos de interesses baseados em  amizades de panelinha. Este fantasma é a cultura dominante neoliberal introjetada no inconsciente dos professores!
   Este fantasma se coloca entre a universidade que temos e a que queremos: uma universidade em que, independentemente de posicionamentos, todos nos respeitemos como colegas que lutam pela mesma finalidade, onde andemos pelos corredores e cruzemos não por fantasmas, mas por colegas que conhecemos, transparentes, pessoas que respeitamos porque, através do debate e da argumentação, podem contribuir para nosso crescimento e nossa mudança. Não fantasmas, mas colegas!