sexta-feira, 17 de julho de 2020

Nota 004/2020 da SESUNIPAMPA

Nota 004/20 SESUNIPAMPA: Diretrizes para uma volta as aulas sem exclusão discente e precarização docente

No dia 16 de julho a SESUNIPAMPA realizou uma assembleia virtual geral amparada pela lei 14010/2020 para discutir, refletir e deliberar sobre: 1) Conjuntura (não deliberativo), 2) enfrentamento ao COVID 19 e a posição sobre ensino remoto na UNIPAMPA, 3) Eleição de delegado(a) e observadores(as) para o CONAD extraordinário virtual e 4) Informes gerais. Após ampla discussão com a base encaminhou-se um conjunto de propostas que vimos apresentar e que representam a posição que orientará a postura desta seção e de nossa categoria. Neste sentido:
Considerando que vivenciamos a maior crise sanitária já vivenciada pela humanidade que impacta diretamente na vida dos trabalhadores(as) e em todas as atividades que precisam se adaptar a um processo que ainda se encontra em pleno desenvolvimento com milhares de vítimas dia a dia.
Considerando que a pandemia demonstra a crise do sistema neoliberal que representada pelo governo atual defende primeiro o mercado financeiro e o funcionamento a todo custo do mercado em detrimento das vidas humanas perdidas muito em função da desestruturação dos serviços públicos como Saúde e Educação que tem seus gastos limitados por 20 anos e logo a cada ano com menos recursos  perante o aumento constante das necessidades de tais serviços. Isto, além de o governo federal não coordenar uma reação efetiva a pandemia em um ministério que nem ministro titular tem.
Considerando que nesse cenário, no que tange ao setor da educação, surgiram, principalmente a partir do segundo semestre, a proposta de ensino remoto como forma de retorno as aulas. Verifica-se país afora processo acelerados, atropelados e antidemocráticos de implementação do ensino-remoto a distância. Sem levar em conta a necessária preparação, confundindo-se com um arremedo de EAD e levando a exclusão de parcelas da comunidade discente que não tem acesso as plataformas e muitas vezes nem condições sociais de interagir com elas e simultaneamente precarizando a atividade docente, pois impondo novas formas de atuação, em tempo escasso, pouca formação e pouco tempo para adaptação.
Neste sentido, afirmando o papel público, laico, gratuito e de qualidade da Universidade entendo a educação como um patrimônio universal da humanidade e não uma mercadoria a assembleia geral virtual deliberou os seguintes pontos que apresentam critérios e sugestões para uma possível volta (provisória, instituída pelo estado de exceção pandêmico) através do ensino remoto na UNIPAMPA:
1) Reafirmamos as posições já manifestadas nas notas 001/20, 002/20, 003/20 e a nota conjunta com o SINDPAMPA de que  a forma como a reitoria tem conduzido  o processo de volta as aulas por ensino remoto tem sido aceleradas, verticalizadas e acabam contribuindo para um aumento da ansiedade e adoecimento profissional e fragilizando as relações democráticas necessárias para esse necessário dialogo na comunidade acadêmica. É necessário ouvir e encaminhar as sugestões dos campi, levar em conta suas particularidades e as necessidades de uma formação adequada e construção de condições adequadas de ensino aprendizado para a categoria docente. O processo tem sido discutido pelo GT formado que não tem dialogado com os campi e de forma precária com o CONSUNI, onde a primeira reflexão foi somente realizada 46 dias após a criação do GT e configuração das propostas apresentadas. Afirmamos que o CONSUNI é a instancia máxima de nossa universidade, ali deve ser o espaço de deliberação final com o tempo necessário para isso.
2)  Reafirmamos também o alerta da insuficiência de propostas para comunidade discente que garanta a universalidade do acesso nas atividades de ERE. Que busquem dar conta - para além das bolsas já oferecidas ou em processo de oferecimento- da não exclusão de nenhum discente. Precisamos compreender que com a pandemia a precarização da realidade de vários estudantes aumentou, ou seja, as condições de pobreza e de desigualdade social no país estão piores. A renda da população tem diminuído e neste quando temos também o impacto psicológico, a carga emocional de estar se vivenciando um processo semelhante a uma guerra civil, com vítimas diárias. Logo questões de acesso, questões que possam levar o discente a ficar para trás na integralização do semestre são questões estratégicas que senão resolvidas em um processo de oferta regular, como se pretende podem levar ao aumento da já existente evasão escolar. 
3) Que a proposta final de volta as aulas por ensino remoto sejam embasadas e elaboradas a partir de diagnósticos representativos e publicizados amplamente que demonstrem a realidade de acesso e os nós críticos a serem resolvidos. Urge novas pesquisas junto a comunidade discente, técnica e docente que atualize dados antigos e permitam entender o quadro que temos após quatro meses de pandemia. Esse esforço de pesquisa deve ser coordenado entre todo os campis a partir de um questionário comum também amplamente publicizado. Os resultados devem servir como base para a discussão e deliberação final
4) Que em qualquer proposta de utilização de tecnologias digitais a partir de diferentes plataformas seja garantido e assegurado a liberdade de cátedra: de ensinar e aprender com autonomia e tranquilidade. Este direito fundamental tem sido ameaçado constantemente nos tempos de controle ideológico que vivenciamos. Assim, da mesma forma como em sala de aula essa liberdade é o princípio do processo educativo, em condições remota, onde torna-se possível ataque de hackers, gravações indevidas e exposição de docentes, torna-se mais necessário ainda a sua garantia.
5) Consolidando a afirmação da liberdade de cátedra, deve ser garantido nesse processo de implementação do ensino remoto em tempos pandêmicos a garantia e preservação do direito de imagem e de escolha pelo docente se este quer gravar sua aula ou não. Um direito já garantido na CF de 1988(artigo 5º, inciso X) que afirma ser este inviolável. Portanto, mesmo se tratando de ERE, tal direto tem que ser  regulado. Ou seja, deve ser garantido primeiramente o consentimento como condição da gravação. A atual proposta de diretrizes para a volta elaborada pelo GT não deixa isto nítido. Tal nitidez é fundamental para defesa do docente e de sua liberdade de ensinar.
6) A UNIPAMPA como uma universidade pública neste processo, colocado pela excepcionalidade do momento pandêmico, deve se comprometer com o desenvolvimento e aperfeiçoamento de plataformas publicas e com softwares livres para o desempenho das atividades pedagógicas. É fundamental nesse processo não nos precipitarmos e na ansiedade de querer voltar logo, desvalorizar a função pública da universidade e ao mesmo tempo valorizar o mercado digital e suas tecnologias já disponíveis que mesmo em um primeiro momento serem gratuitas, este fato não perdurará, poderemos ficar dependentes, além do que já sermos garotos propagandas da Google que lucra simbolicamente com isso e financeiramente também.
7) Que a oferta na modalidade ensino remoto pautada pelo momento de pandemia, justamente por isso seja com componentes optativos (ensino) e que seja integrada com as atividades de extensão e pesquisa. Buscando assim, a realização de projetos integrados construídos no processo interativo entre professores e alunos. Dessa forma se minimiza os impactos de um semestre regular sobre os discentes e mantem-se o vinculo necessário a partir dos encontros virtuais já diminuindo a carga horaria final de integralização do curso.
8) Que seja afirmado nesse processo provisório de volta as aulas o direito a progressão e promoção e que isso seja universal e amplamente publicizado. Pois embora ainda não se tenha desenvolvido o ERE, desde março os docentes se envolvem e desenvolvem atividades de trabalho remoto através de webnários, orientações, atividades de extensão e pesquisa e etc. Ou seja universidade e os docentes não pararam um instante sequer e logo isso tem que ser reconhecido para seu processo de progressão/promoção funcional.
9) Que o fluxo de contato para dúvidas e sugestões para a Reitoria seja organizado a partir da atuação do GT que atualmente coordena a construção da proposta de ensino remoto. Permitindo mais interação e agilizando e democratizando o processo.
UNIPAMPA, 17 DE JULHO
DIRETORIA DA SESUNIPAMPA

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Em tempos de pandemia, SESUNIPAMPA realiza assembleia geral virtual.



Hoje, dia 16 de julho, a sessão sindical docente da UNIPAMPA deu mais um passo na construção da democracia pela base. Autorizados pela lei 14010/2020 foi realizada uma assembleia geral virtual que discutiu quatro assuntos fundamentais para a categoria.
Foram em torno de 50 participantes, de oito campus da UNIPAMPA: São Borja - São Gabriel - Jaguarão - Uruguaiana - Dom Pedrito – Bagé, Itaqui e Caçapava do Sul, que em  três horas e meio de reunião refletiram, polemizaram, discutiram coletiva e democraticamente sobre a pauta da assembleia: 1) Conjuntura; 2) Enfrentamento ao COVID 19  e posição sobre o ensino remoto na UNIPAMPA; 3) Eleição de delgado e observadores para CONAD extraordinário e 4) Informes gerais.
A primeira reflexão foi sobre os desafios colocados pela conjuntura nacional em tempos de pandemia e seus impactos na universidade pública: a crise do capitalismo mundial e o desgoverno federal que ameaça direitos e menospreza a pandemia não coordenando ações nacionais efetivas de combate, o aceleramento de propostas de ensino remoto em todo pais sem levar em conta a exclusão dos discentes e a precarização da atividade docente e a importância da afirmação da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade quer como um polo efetivo de combate a pandemia, quer como um espaço fundamental de inclusão social e reconstrução social pós pandemia.
Quer saber mais sobre esses desafios conjunturais? Confira a matéria completa amanhã!
A segunda reflexão foi sobre o ensino remoto onde se colocou argumentos pros e contras a utilização dessa modalidade em tempos de excepcionalidade. Voltar as aulas por ensino remoto ou não? Como voltar? Quais as possibilidades de estratégias de ensino remoto?  Quais seus limites? Como tem sido tem sido discutido na universidade? Foram questões que nortearam as reflexões e que culminaram em 09 propostas aprovadas virtualmente que apontam para diretrizes e critérios para um processo de volta as aulas por ensino remoto seguro, não excludente e não precarizante da atividade docente.
Quer conhecer as respostas na integra? Confira a matéria completa amanhã, juntamente com a nota da diretoria da SESUNIPAMPA  com os resultados da assembleias.
Na terceira reflexão se construiu a delegação da UNIPAMPA com um delgado e duas observadoras que irão nos representar no CONAD virtual extraordinário que acontecerá em 30 e 31 de julho e reunirá sessões sindicais do Brasil inteiro para refletir e deliberar sobre a conjuntura e a prorrogação de mandato da atual diretoria do ANDES.
Quer saber quem é a nossa delegação? Confira a matéria completa da assembleia amanhã!



O debate sobre o retorno das aulas em tempos pandêmicos: voltamos ao “normal”?


A SESUNIPAMPA conversou com a presidente da Seção Sindical do ANDES-SN na UFRGS, Rúbia Vogt, sobre os impactos da pandemia do coronavírus na comunidade acadêmica e como a proposta de ensino remoto vem trazendo preocupações para as Universidades do Brasil.

   A pandemia da COVID-19 assola nosso país a mais de 3 meses e seus impactos são diversos. Estabelecimentos, instituições, comércio, todos estão buscando alternativas que reduzam os efeitos da pandemia e de alguma forma garantir o funcionamento desses espaços.
  Nas universidades as aulas presenciais foram todas suspensas, e sem previsão de um retorno seguro, algumas aderiram a modalidade de ensino remoto. Na UNIPAMPA, o debate sobre um possível retorno surge de maneira atropelada e recentemente. Com a justificativa de “não perder o ano acadêmico” a reitoria apresentou uma proposta de calendário que não contemplou a comunidade acadêmica, gerando muitos debates em todas as categorias, causando preocupação e aflição aos vulneráveis socialmente, que logo se viram excluídos da proposta.
  Deixando várias lacunas a serem preenchidas, a proposta ainda se encontra em discussão e não foi aprovada pelo CONSUNI, tendo em vista que a categoria docente ainda apresenta muitas questões e exige explicações por parte dos proponentes, pois entende que além da problemática dos discentes possuírem acesso ou não, questões trabalhistas também não foram explicitadas.

Voltamos ao “normal”?

  Mesmo com toda problemática que estamos vivendo, surge em nossa sociedade uma discussão que leva a pensar que estamos entrando em um novo momento, considerado o “novo normal”, como se fosse possível excluirmos a importância da interação social de maneira presencial. As reuniões de trabalho, organização, grupos ou qualquer segmento que se faz necessária discussão em grupo ocorrerem de maneira virtual seria o considerado, “novo normal”. Compras pela internet, seja de insumos de sobrevivência ou utilidades gerais, desconsiderando trabalhadores nesse processo e tornando suas funções desnecessárias, também seria considerado o “novo normal”.
   O que não se discute, e não se considera o novo normal, é o adoecimento das pessoas de maneira geral, enquanto número de mortes pela COVID-19 e enquanto adoecimento psíquico por parte não só dos trabalhadores como de crianças, jovens, adultos e idosos fora dos espaços produtivos de trabalho. A população é afetada e sofre de todas as formas, desde a mãe que esta com seus filhos em casa sem aulas presenciais ou acesso aos materiais de estudos, a própria criança sem o espaço de interação social e aprendizagem, o idoso que hoje limita suas atividades e contatos visando preservar sua vida, os professores (sejam eles do ensino superior ou da educação básica) que estão trabalhando de maneira remota, sem nenhum auxilio dos governos e sem garantia de que seu conteúdo esta chegando aos educandos.
   O novo normal esta sendo considerado dentro de um contexto onde a pandemia não esta contida e onde não há sequer perspectiva de um retorno realmente ao estado de normal, já que o normal é que o povo esteja em segurança, com saúde e tendo acesso a todos os serviços que o Estado deve proporcionar.
   Considerar um retorno das aulas dentro dessa análise, de um falso novo normal, que na prática aliena a população referente a realidade vivenciada hoje, é algo cruel e que fere diretamente a condição humana que deve ser digna. Não é, e não deveria ser um problema que o ano de 2020 seja excluído do calendário acadêmico, pois, não depende da reitoria, dos professores, alunos ou técnicos a contenção da pandemia, e sim, única e exclusivamente dos governos.
  A discussão que deve ser feita no momento, é da ampliação das atividades que os docentes já vem exercendo para a oferta de disciplinas que auxiliem em carga horária complementares, como DCGs e ACGs. Mesmo mantendo uma rotina de trabalho durante a pandemia, o senso comum reproduz que os servidores públicos estão recebendo sem trabalhar, o que é uma falácia. Existem alternativas que podem ser pensadas visando a não exclusão dos vulneráveis socialmente e dos que se encontram em situação de adoecimento. Em meio a perda de entes queridos e do povo brasileiro em geral, impor um retorno das atividades acadêmicas obrigatórias é uma atitude violenta e agressiva para com as pessoas.



Entrevista da semana

   A SESUNIPAMPA conversou com a Rubia Vogt, que é presidente da Seção Sindical do ANDES-SN na UFRGS, e debateu sobre as questões apresentadas acima, buscando ampliar a construção de uma alternativa que não seja excludente e que contemple as Universidades sem precarizar a educação público e o processo de ensino-aprendizado, visando não prejudicar nem discentes e nem docentes durante a execução de seu trabalho.
           
SESUNIPAMPA: O que a pandemia afetou e vai afetar nos processos educativos nas universidades do Brasil?

Rubia: “Penso que a situação que se apresenta para o campo da educação como um todo, independente do nível, etapa, modalidade, é o aprofundamento de desigualdades. Com a suspensão das atividades presenciais, por conta do imperativo do isolamento social para conter o avanço do Coronavírus, atividades de ensino estão sendo mediadas por tecnologias. Não há uma transposição direta entre presencial e digital, e resta saber se esta mudança se traduzirá em aprendizagem. Temos no país um sério problema de acesso ao mundo digital, seja por conta da falta de pacotes de dados ou da limitação deste, seja pela ausência de dispositivos eletrônicos. Na educação básica, temos muitas famílias com apenas um aparelho de celular para atender a todos de casa. Então, crianças e jovens se revezam no uso deste aparelho, que não foi pensando como um dispositivo para estudo. E este mesmo celular ainda é de uso dos adultos, até para fins de trabalho. Na universidade pública, temos de pensar que, junto com as ações afirmativas que aos poucos estão mudando as instituições, precisamos de políticas de permanência: muitos(as) discentes dependem de auxílio para moradia, alimentação, transporte, compra de materiais, etc. Ainda, com a crise econômica e seu aprofundamento na pandemia, muitas famílias dos(as) estudantes perderam suas fontes de renda, o que diminui as chances de poder se dedicar aos estudos, pois muitos(as) jovens e adultos(as) precisam usar seu tempo para buscar uma alternativa para a sobrevivência. A crise sanitária também afeta a rotina, com sobrecarga de trabalho doméstico e situações de adoecimento psíquico. Em meio a este cenário pandêmico, as universidades públicas mais uma vez mostraram sua relevância para a sociedade brasileira. Mesmo com os constantes e aprofundados cortes de verbas, mesmo com as acusações infundadas e ataques vindos do chefe máximo do Ministério da Educação, junto aos(às) servidores(as) as universidades seguiram contribuindo no combate à Covid-19. Por meio da pesquisa e da extensão, as universidades e também os institutos federais seguem atuando promovendo soluções na área da saúde; e não só: todas as áreas estão ativas e contribuindo, como, por exemplo, as pesquisas de ciências humanas que analisam e registram os diversos aspectos da pandemia.”


SESUNIPAMPA: Como avalias as propostas de ensino remoto que tem sido propostas na atualidade pandemia?



Rubia: “Chama a atenção que em poucas semanas se naturalizou um conceito antes bastante desconhecido: o “ensino remoto” e suas variantes lingüísticas. De um lado, temos um desejo muito humano de alguma “normalidade” ao recuperar práticas e rotinas interrompidas pela pandemia, a boa vontade de docentes e técnicos(as); do outro, a questão do aprofundamento das desigualdades, pois quem já tinha dificuldades para estudar, terá ainda mais. Vemos estudantes e também os pais da educação básica preocupados com se perder o semestre, se perder o ano letivo. No entanto, o que está verdadeiramente em jogo é a preservação da vida, a qual, se perdida, não tem volta, diferente da aprendizagem, que se retoma. Vemos algumas instituições que não estão conduzindo os processos de implementação do ensino emergencial de forma democrática, pois estão prescindindo do diálogo e amplo debate com a comunidade acadêmica. Também desconsideram as condições de acesso dos(os) discentes e a precarização do trabalho de técnicos(as) e docentes a partir de suas casas, sem formação em ead – que possui regulamentação e didática própria – e com seus próprios recursos materiais. Outro aspecto que merece atenção é que as propostas de ensino emergencial são uma larga porta aberta para aprofundar a privatização da educação pública. Não se trata de um leilão de transferência, mas da compra de pacotes e plataformas de empresas privadas, as quais, no caso das universidades públicas e institutos federais, ainda terão acesso não só ao ensino, mas também a dados e à produção de conhecimento por meio das pesquisas empreendidas por estas instituições. Gostaria de mencionar também o aumento de casos de invasões a atividades no ambiente educacional digital (palestras, aulas, etc), com ataques racistas, machistas, homofóbicos. Há pouco lutávamos pela preservação de nossas aulas; agora, estamos nos expondo digitalmente sem segurança. Todo o malabarismo lingüístico em torno do ensino remoto, parece, é para evitar que se diga que se trata em muitos casos, de uma EaD precarizada.”

SESUNIPAMPA:     O que seria uma volta alternativa com semestres sem uma oferta regular e qual sua importância?

Rubia: “Não podemos desconsiderar os(as) alunos(as) que podem e que gostariam de manter algum vínculo, nem a vontade de técnicos(as) e professores(as) em retomar as atividades de ensino. Por outro lado, não podemos proporcionar uma continuidade para alguns, deixando tantos(as) outros(as) para trás, acentuando desigualdades por meio da educação. Aliás, mesmo dentro do grupo de estudantes que têm condições de acesso ao ensino remoto, é preciso atenção a casos específicos, às questões de gênero, por exemplo. As alunas mães (assim como técnicas e professoras) têm demandas próprias no ambiente acadêmico, que se agudizam na quarentena e necessitam de atenção especial. Acredito que os(as) formandos(as) também merecem um outro olhar neste momento, diante da possibilidade de conclusão de curso. Então, além da atenção a cada discente, podemos pensar em disciplinas eletivas, em atividades de pesquisa e de extensão, em projetos voltados para o contexto da pandemia; em serviços prestados à população em geral. A suspensão das atividades presenciais nas universidades e institutos federais não parou estas instituições. Seguimos ativos e atuantes.”

Fortaleça a luta sindical e a SESUNIPAMPA na defesa da categoria docente, filie-se!

terça-feira, 14 de julho de 2020

ANDES-SN emite nota de repúdio a tentativa de remoção da sede da ASSINES pela Direção Geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos.

Confira a nota da Diretoria Nacional do ANDES-SN de repúdio à Direção Geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos pela tentativa de remoção da sede da ASSINES.



sexta-feira, 10 de julho de 2020

SESUNIPAMPA convoca a categoria docente para Assembleia Geral Virtual



GESTÃO 2018-2020
CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL

            Em meio ao enfrentamento da maior crise sanitária já vivenciada na humanidade provocado pelo COVID 19 e que assola nosso país onde o governo atual tem demonstrado pouco caso, falta de coordenação e preocupação com a sociedade brasileira a luta não para. Nesse sentido:
            Considerando que na UNIPAMPA estamos em pleno processo de discussão sobre a volta as aulas através de ensino remoto, atividade que tende a precarizar a atividade docente e o próprio processo de ensino-aprendizado, assim como excluir parcelas da comunidade discente. Discussão iniciada em nossa primeira plenária virtual realizada mês passado e expresso na nota 003/20.
Considerando a proximidade de um CONAD extraordinário virtual que vai pautar a atual conjuntura e fortalecer nossa principal ferramenta de lutas, o ANDES-SN, a partir da prorrogação do mandato da atual direção nacional.
Considerando que foi instituída a lei 14.010 de 2020 que permite a realização de assembleias virtuais deliberativas ate o dia 31 de outubro. E que nos viabiliza portanto em meio a pandemia em formato de exceção, podermos definir algumas questões fundamentais para a categoria e nossa luta.
A partir dessas considerações a Seção Sindical dos Docentes da UNIPAMPA – SESUNIPAMPA - convoca a todas e todos para uma assembleia virtual:
Dia: 16 de julho – quinta - feira
Horário: 1ª chamada - 9: 00 -   2ª chamada 9:30 (com qualquer quórum)
Local: on-line via googlemeet
Pauta:
1) Conjuntura
2) Enfrentamento ao COVID 19 e nossa posição sobre ensino remoto na UNIPAMPA
3) Eleição de delegado(a) e observadores para o CONAD extraordinário
4) Informes gerais
Como participar: a) Para inscrição e participação na assembleia online, docentes da UNIPAMPA devem enviar um e-mail manifestando o interesse para sesunipampa@gmail.com até a próxima quarta-feira, dia 15 até as  16h, b)O link do google meet será enviado para o e-mail de todos e todas que se inscreverem na assembleia geral.
Saudações sindicais,
Cesar Beras
Presidente da SESUNIPAMPA
UNIPAMPA, 10 de Julho de 2020

Seções sindicais do ANDES-SN no RS denunciam trabalho remoto precarizado



JORNADA NACIONAL DE LUTAS 10/07/2020
MANIFESTO DAS SSIND DO RS do ANDES-SN

Já ultrapassamos a casa dos 1.600.000 brasileiros contaminados pela COVID 19 e mais de 70000 mortes. Apesar deste duro cenário sanitário, o governo Bolsonaro mantém e agudiza os ataques aos direitos sociais dos trabalhadores, em especial, dos servidores públicos do campo da educação e da saúde, intensificando a precarização do trabalho nesse momento conjuntural. Uma das armadilhas está na implantação de diferentes formas de "ensino remoto", processo recheado de contradições, sem garantias técnicas e pedagógicas para a realização de um ensino de qualidade nas Universidades e Institutos Federais.
As Instruções Normativas n. 19, n. 21 e n. 27, do Ministério da Economia, regulamentam o trabalho remoto, com medidas de controle de produtividade, e desconsiderando as condições precárias de trabalho preexistentes à pandemia. Esta política vem ao encontro do recomendado pelo Banco Mundial e organismos internacionais que desejam lucrar com essa “fatia do mercado" que é a educação pública, difundindo um modelo educacional a partir da privatização, sem preocupação com a formação social dos estudantes. 
Para nós, este modelo destrói a educação pública, não traz preocupação com as atividades a que se destinam as universidades, não aborda condições pedagógicas ou de infraestrutura, e agrava a desigualdade educacional, social e racial no Brasil. Além disso, fere a Constituição Federal em seu Art. 207, que trata da autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das universidades; prevê cortes salariais, suspensão de concursos públicos, mais contingenciamentos nos orçamentos, perda de outros direitos ainda existentes, redução do número de terceirizados/as no setor público e várias outras medidas. A uberização das atividades para manter o lucro dos grandes empresários tem sido adotada em todas as atividades.
Enquanto isso, sofrem famílias inteiras neste cenário agravado pela pandemia. O desrespeito da administração federal com a sociedade brasileira é inadmissível. Não reconhece o papel fundamental do Estado para a garantia de condições mínimas de dignidade e vida da população, não reconhece o valor e a importância dos servidores públicos e os desqualifica frente à sociedade, e debocha jocosamente as famílias que perderam entes próximos neste contexto do coronavírus.
Não nos curvaremos a essa política genocida. Estamos atentos à falácia de soluções mágicas para a questão da suspensão das aulas durante a pandemia. Nosso objetivo é restaurar coletivamente o papel da educação, em defesa do público e do interesse público, com o compromisso de defesa da vida, com respeito e solidariedade social. Por uma educação, pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada.

#ForaBolsonaroMourao
#EmDefesaDaVida
#PelasLiberdadesDemocraticas
#PelosDireitosDosTrabalhadores

quarta-feira, 8 de julho de 2020

SESUNIPAMPA participa de reunião conjunta dos setores do ANDES-SN



  Aconteceu na ultima quinta-feira (02) a reunião conjunta dos setores das IEES/IMES e IFES do ANDES-SN. Devido a pandemia do coronavírus, a reunião novamente foi de maneira virtual, e se dividiu em 2 turnos, pela manhã e a tarde.
  Com a finalidade de discutir a conjuntura da educação pública brasileira, o primeiro momento foi de repasses de informes por parte das seções sindicais que integram o sindicato nacional e posteriormente se iniciaram debates a cerca do trabalho e ensino remoto e a abertura da modalidade EaD, sugerida pelo Ministério da Educação para que sejam retomadas às aulas.
   Também foi discutida a Lei 14.010/2020 e as Assembleias On-line, tendo em vista que o Estatuto do ANDES-SN não prevê esta modalidade como meio deliberativo, mas que em um momento como este, de excepcionalidade, todas as seções devem buscar manter o dialogo com a base através dos meios virtuais, já que a organização sindical e mobilização das lutas não podem parar.

A SESUNIPAMPA se posiciona durante a reunião...

  Como representante da seção sindical SESUNIPAMPA na reunião, o presidente, Prof. Cesar Beras, repassou aos demais participantes a atual situação da Unipampa e da categoria docente, que enfrenta um calendário acadêmico proposto pela reitoria de maneira atropelada e sem diálogo com a base da universidade. O professor também contribui com uma análise conjuntural, e apontou questões diretas que demonstram a displicência do governo federal para com o serviço público.

“Vivemos um processo de necessária resistência à construção de um nicho neoliberal no Brasil, representado pelo governo Bolsonaro, aturado pela burguesia nacional, mesmo que em suas disputas de frações, setores militares e setores do judiciário, que se assenta em aproximadamente 30% da população. Verificamos como exemplo simbólico disso um modus operandi de construção do governo sem nenhum a preocupação com sua composição (vide ausência do ministro de saúde e dificuldades em nomear um ministro da educação). Não há respeito às instituições  publicas e sua condução. Há uma desresponsabilização e destruição de um Estado Social e das necessárias politicas publicas voltadas para as reais necessidades das pessoas. Não obstante, percebemos que há uma nítida orientação e construção/afirmação de um projeto ultraliberal de privatização do Estado Público. Os desmandos do governo expresso em seu modus operandi e os escândalos que o rondam não atrapalham e nem estão atrasando esse projeto. Neste cenário, aliado ao atropelo governamental por uma volta as aulas por ensino remoto que se configura nossa quadro de necessária resistência, algo que ja estamos fazendo e precisamos potencializar.” (Prof. Cesar Beras)


  O professor também contribuiu com a análise da SESUNIPAMPA sobre o trabalho remoto, que hoje se apresenta enquanto uma séria problemática da categoria docente e que aumenta o processo de precarização tanto do processo de ensino aprendizado, como da própria profissão docente. Pensando também a proposta de calendário da reitoria, Beras diz que:


“O ensino remoto é uma forma direta de precarização e adoecimento da categoria profissional, pois causa uma dupla submissão: do processo de ensino aprendizado à uma logica de ensino digital apressada, um arremedo de EaD, sem as condições de acesso e de utilização adequadas e causa o adoecimento profissional e de toda a comunidade acadêmica, a partir de uma serie de coisas não resolvidas (bolsas, recuperação, aulas praticas, avaliações) em tempos de pandemia acontecendo, aonde sentimos emocionalmente seu impacto. Aqui na UNIPAMPA o processo de “volta as aulas” esta sendo atropelado já com uma tentativa para o dia 20 de julho e outra agora para a primeira semana de agosto. Um processo fragmentado, que joga a responsabilidade para os campus, gestores e professores(as) e que enquanto “consulta” já esta também em andamento com formações aceleradas para plataformas digitais e ignorando uma serie de preocupações dos 10 campi da universidade. Além de se querer por aqui, realizar dois semestres em um. Estamos resistindo pela base e buscando  enquanto categoria afirmar a democracia e transparência na discussão de retorno, a não exclusão de ninguém, ninguém pode ficar para trás e a preservação acima de tudo de todas as vidas. Neste sentido vamos resistir até o fim.” (Prof. Cesar Beras).
    Referente às questões das assembleias virtuais, e demais atividades e ações que estão tendo a necessidade de acontecer de maneira virtual, o representante da seção entende que mesmo aderindo a modalidade virtual temporariamente, não significa que a mesmo tenha “vindo para ficar” ou que deva ser implantada permanentemente, apenas não se deve esvaziar debates devido a problemática presencial.

“As assembleias e o CONAD, razão de ser dessas ocorre em um momento de excepcionalidade não significa em momento algum a mudança de nossa metodologia de usar mecanismos de participação direta e não capitular a processo on-line. Neste momento tal processo é uma tarefa politica de fortalecimento jurídico e politico da prorrogação do mandato da atual direção. Portanto é um processo de pacto político para o momento sobre a utilização de assembleias e encontros virtuais.” (Prof. Cesar Beras)

Entrevista com a Celeste Pereira, Presidente da ADUFPEL.
 Conversamos com a Presidente da ADUFPEL, Celeste Pereira, sobre a reunião dos setores e sobre a questão do retorno das aulas da maneira como está ocorrendo nas universidades. Considerando os 41 anos da ADUFPEL, também dialogamos sobre como a seção sindical vem enfrentando tantos ataques à educação e a categoria docente.

SESUNIPAMPA: Considerando nossas análises realizadas na última reunião dos setores do ANDES/SN (em 02 de julho) quais os principais desafios colocados pela conjuntura?

Celeste: “Temos que compreender que os empresários das grandes corporações da educação estão de olho nesta "fatia do mercado" e que isto não é um interesse pontual nem surgiu agora. Reflete a orientação do banco mundial para os países em desenvolvimento: considerar a saúde e a educação como serviços a serem explorados no mercado. E, neste momento, encontram eco e apoio no (des)governo Bolsonaro e Mourão. Por isso, os servidores públicos estão na mira do governo. Desqualifica-los e desconstruir sua carreira e direitos é preparação do terreno para entregar para a iniciativa privada estes bens tão caros para a população brasileira e conquistados na luta. Além disso, a perspectiva segregadora onde pretos e pobres não terão acesso aos bancos das universidades.”

SESUNIPAMPA: Como você avalia as tentativas de inserção do  ensino remoto como alternativa de volta às aulas?

Celeste: “Temos estudado muito esse tema. Considerando o perfil dos nossos estudantes, sabemos que boa parte deles são de famílias humildes, muitas em situação de vulnerabilidade social mesmo. As tecnologias e seus avanços representam um avanço científico sem dúvidas, mas há que se considerar a realidade de uma parte grande da população. Os celulares são tecnologia disseminada pelo mundo, porém nem todas as famílias tem condições de te-los; nem todos têm acesso à internet e, quando tem, é através de alguma rede pública ou aberta. Além disso, muitos dos nossos estudantes, tem aparelhos celulares para comunicação nas redes sociais. São aparelhos que não comportam aplicativos ou programas para acompanhamento de aulas remotas. Esta realidade esta posta também para os docentes que, neste momento, precisam utilizar ser próprios equipamentos para a organização de aulas online, com seus recursos próprios e, muitas vezes, sem domínio das plataformas virtuais, já que significam um cenário muito diverso daquele que se coloca nas atividades presenciais. Sem contar no reflexo para o processo de ensinar e aprender, onde a  troca e o contato atento aos  processos individuais e coletivos são fundamentais. Estes são alguns argumentos, mas o debate é ainda mais profundo. A pandemia nos exige adaptações, mas não podemos perder de vista o papel de formação de sujeitos críticos no mundo com capacidade para intervir na sociedade. Esta linha mestra do processo formativo é que está sendo atacada.”




SESUNIPAMPA: A ADUFPEL completou 41 anos de existência como entidade que defende os interesses da categoria docente. Como tem sido a luta neste contexto de pandemia e considerando as medidas de apressamento de volta às aulas na UFPEL?

Celeste: “Trago aqui alguns elementos para uma analise inicial, pois é tema complexo demais, com inúmeras possibilidades de desdobramentos. Nossa entidade surgiu exatamente para defender os interesses da categoria docente na perspectiva classista, compreendendo que somos todos trabalhadores, com regras de contrato a cumprir, carga horária, tarefas, produtos a realizar e salário pelo cumprimento das atividades contratadas. Neste sentido, e considerando o cenário nacional, temos buscado debater as propostas encaminhada junto à UFPEL.  O calendário alternativo aprovado no COCEPE ignorou as considerações e apelos das entidades representativas. Para nós, reflete o ensaio para a implantação do ensino remoto 'emergencial', para que assuma caráter de permanência e mantenha inclusive afastadas as categorias, o que dificulta sua organização política, além de significar um retrocesso do ponto de vista da inclusão social. O estado investirá em comprar plataformas do setor privado, ou estabelecer parcerias com essas grandes corporações, que implicação na padronização do ensino com utilização de materiais didáticos pré estabelecidos, sistema de controle externo sobre estudantes e trabalhadores, e sobre os produtos construídos nas universidades que deverão servir ao mercado e não necessariamente à sociedade. E nem tocamos aqui nos aspectos psicológicos trazidos neste contexto de pandemia.”